Sweet Home Manchester

A razão de partilhar as aventuras da Joana e da Raquel em Manchester agora são outras. Sim, temos histórias fantásticas para partilhar mas por agora ficamos por umas fotos e palavras sobre uma humanidade que nos decidiu desiludir. Mais uma vez. 

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Raquel

Já queríamos fazer este post há algum tempo. partilhar as aventuras de quando nos reunimos na cidade que escolhi como a minha terceira casa. De Megabus lá veio a Joana para o norte, depois de ter observado o que a vista inglesa tem de melhor : relva e ovelhas. Depois de uma chegada nada low-profile na estação de Huddersfield (sim, eu comprei-lhe um balão) e de ter todas as nossas conversas em dia, Manchester foi a nossa próxima paragem. Entre mulled cider e bowling às tantas da manhã, fizemos tudo a que tínhamos direito e foi tão mágico. 

Agora… Manchester. Sim, o tempo é mesmo uma merda e mesmo que esteja sol no país todo, acredita que és capaz de apanhares chuva mal chegues perto da cidade. Sim, o pessoal ainda continua parado nos Oasis (e não tanto nos Joy Division). Sim, a música continua a ser uma das coisas mais importantes. A playlist que fizemos tem só as melhores bandas de Manchester. Sim, as melhores memórias que vais ter foram feitas lá. Manchester psych fest… ninguém se vai esquecer dessa noite. (quando voltei ao Night nDay depois do festival, vi um concerto ao lado do Johnny Marr, casual). Sim, tem as melhores venues. E não, não comas nenhum waffle às tantas da manhã nos Archies e vai para casa, onde já devias ter chegado há muitas horas atrás.

Agora… a razão de estar a escrever isto é totalmente diferente. Este sentimento de revolta é inevitável. Muitas daquelas crianças que estavam na arena estavam a experienciar o seu primeiro concerto. Lembras-te de qual foi o teu? e a importância que teve para ti? Estavam a apreciar música e a ver ao vivo quem têm chamado de role-model. Algo tão único que foi destruído por um acto nojento e inexplicável. Gostava de ter esperança. Mas está cada vez mais difícil.

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Joana

O norte de Inglaterra tem algo que me deixa calma. Apesar de ter cidades grandes, a atmosfera é acolhedora e as pessoas são simpáticas e recebem-te como se fosses um deles. Foi isso que senti sempre que fui a Liverpool. Em Dezembro expandi os meus horizontes e fui a outras cidades que ainda não conhecia, também para ver a Raquel. Apanhamos o comboio e fomos as duas a Manchester, uma cidade que na minha cabeça era completamente obcecada por futebol – que é – e onde a música sempre teve um lugar muito presente. Infelizmente estou a escrever estas palavras após o que aconteceu em Manchester no início desta semana, porque para mim é inconcebível que uma cidade tão acolhedora de onde só tenho boas recordações tenha sido alvo de tal barbárie.

O que me uniu a Manchester foi a música e a amizade. Só tenho recordações de risos, copos com os amigos e música. E assim vai ser sempre. Quando me lembro de Manchester lembro-me do sotaque incompreensível, da cidade com o brilho do sol de Inverno, e das interações das pessoas e isso não vai mudar. Vão haver sempre pessoas que por inveja de não terem compaixão e não perceberem quão boa é esta oportunidade que temos no mundo para fazer a diferença, vão ser sempre pequenos de mente e de valor – mas nós não os vamos deixar nunca, mas nunca que nos retirem as gargalhadas, a união e o amor. Quando estive na MEN Arena há pouco mais de meio ano, a ver Red Hot Chili Peppers, não senti mais nada para além de felicidade – diverti-me como nunca e depois apanhei o comboio em Victoria – como muitos tinham planeado fazer na segunda-feira passada, no concerto de Ariana Grande. E é por isto que escrevemos sobre este assunto. Podemos gostar de música diferente, mas somos todos fãs de música. E ninguém, mas ninguém deveria ir a um concerto para nunca mais voltar. É isto que nos deixa tristes e irremediavelmente revoltados. Que a cobardia de uns comprometa a felicidade de outros. Nós vamos continuar a lutar por um mundo em que o amor supera o ódio, em que a união supera as guerras e a Humanidade ganha. Pode ser uma utopia, mas quem sabe? Coisas mais ridículas já aconteceram.