NOS Primavera Sound | Dia 9 | Quando o calor aperta

O Sol chegou ao Parque da Cidade e a temperatura teimou em aumentar, contra a insistência das nuvens que o tentavam encobrir, o dia teve mais cor, e os concertos de sexta-feira acompanharam a temperatura. 

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Um dia mais repleto de música, completamente esgotado e com o sol a brilhar, o que mais podemos exigir de um festival?

Os concertos começaram ainda o sol estava na fase descendente e os portugueses First Breathe After Coma tocavam para as centenas de festivaleiros ainda em fase relaxada, sentados na relva e à espera que a próxima cerveja não fosse a tal que os fizesse querer ir à casa-de-banho – os rapazes de Leiria andam nas bocas do mundo, motivo pelo qual também foram incluídos no cartaz eclético deste festival. Entre o novo álbum “Drifter” e o álbum que os dervirginou na música, pouco ficou por cantar, e ainda tivemos direito a uma surpresa de Noiserv em jeito de – toma lá, nós também temos convidados fixes!

Passando para o outro lado do “lago”, os Pond começavam a tocar – a banda espelho de Tame Impala, mais suja, mais psicadélica, mais garagem do que palco. Pond são uma presença assídua no nosso país, tendo estado a última vez em Paredes de Coura em 2015, no entanto, ao contrário de Coura, aqui havia mais desconfiança na aceitação dos espasmos talvez sob a influência de drogas de Nick Albrook. No geral foi um concerto bom para quem os conhece, talvez melhor se durante a noite noutro palco e garantidamente estranho para quem não sabe onde desencantaram estes tipos.

 

Voltando ao19212602_10158912786250397_245254406_o Palco Super Bock, Whitney voltaram e aclamaram o seu amor à cidade errada, sim, caíram no erro de afirmar que o seu amor por Lisboa é maior do que o amor que sentem pelo Porto – como era de esperar ouve gritos de desagrada, rapidamente dissipados mal os acordes da música seguinte entoaram. De destacar a homenagem sentida de Julien ao seu avô recentemente falecido a quem dedicou “Follow” dizendo “deixem-se das palmas, toda a gente passar por isto, infelizmente” –  não podia ser mais verdade… Para além disto, houve outro gesto de amor, desta vez entre os membros da banda que no chão mostraram o amor sentido um pelo outro. Foi um concerto cheio de amor, e que ainda contou com Ambrose de King Gizzard lá no meio.

O amor continuava, agora com Angel Olsen no Palco NOS acompanhada de cavalheiros vestidos a rigor que faziam a menina da banda brilhar. No mundo da música as mulheres têm cada vez mais encantado públicos cada vez maiores, e isso é de louvar. Um concerto num registo amoroso/cute misturado com o embaraço pelas declarações de amor vindas do público, foi um belo fim de tarde no Parque da Cidade.

Já tínhamos visto Sleaford Mods mil vezes, mas escapamo-nos por entre a vegetação para espreitar a poesia cantada da banda que provoca no público uma dualidade de sentimentos. Ou adoram ou odeiam.

Mas a maioria dos bilhetes não foram vendidos para ouvir nenhumas das bandas anteriores, mas sim Bon Iver, o projecto do americano Justin Vernon, conhecido por muitos pelo seu toque indie folk – “olhar para a janela e pensar na vida enquanto está a chover lá fora” – no entanto SUPRESA! O Concerto teve muito pouco de indie folk, o seu novo projecto está mais instrumentalista, eletrónico, focado nas melodias e não tanto nos desgostos de amor, e nós agradecemos, no entanto a meio do concerto estávamos aborrecidos e fomos ver SWANS – sim, perdemos a Skinny Love, a música que fez esgotar o festival dos menos conhecedores do cartaz. Swans foi rock, foi saltos, foi gritos, foi abafar Justin Vernon. A descarga de energia necessária.

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Houve ainda King Gizzard and the Lizard Wizard com a sua rebeldia oriunda da Australia, sempre colocando o público a saltar e a rockar ao mais alto nível; Cymbals Eat Guitars, numa altura infeliz em que o público estava a ver os australianos no palco mais “alto” do festival.

No final contamos com Nicolas Jaar, que é tão exótico como a sua música. Dançamos quase até ficar em estado transe pelas magníficas melodias, feitas na hora, à medida para um público tão particular como o do Primavera.

E amanhã, já é o último dia…