MIL – Lisbon International Music Network

Dia 1 e 2 não só marcou o início de Junho mas também assinalou o nascimento do novo festival lisboeta. Uma “feira” onde se mostra que não é só no Futebol que Portugal dá cartas. Cais do Sodré? Música portuguesa? “Convidados” internacionais? Bem vindos ao MIL.

Já são cerca de 999 festivais em Portugal, desde o festival do caracol aos grandes monstros dos festivais, então nasce o MIL, o milésimo festival, com a lotação de mil pessoas que procura despertar muitas emoções a abrir a corrida aos festivais de verão.

Sabem do que a música portuguesa já precisava? De um maior reconhecimento lá fora e, principalmente, de um maior carinho dentro de fronteiras. O MIL apareceu e já deu para perceber que podemos ser poucos, mas o amor está lá.
Portugal entre 2016 e 2017 já mostrou que é o campeão de vendas em bilhetes de avião e reservas de em empreendimentos turísticos, que a seleção não se resume a um Cristiano Ronaldo e que o Fado está cada vez mais na moda lá fora, e por amor de algo que seja supremo, JÁ TEMOS O NOSSO CANECO DA EUROVISÃO !

Mas nem só de Salvadores, Ronaldos e turistas sobrevive este país, e com a época balnear a chegar e o verão já começa a sentir-se por cá está aberta caça ao festival de verão.

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/ 1 JUNHO

E como bons caçadores que somos, não, não estamos a falar de Pokemon Go, fomos em busca de mais um festival e de muitos grandes momentos que este nos iria proporcionar, então delineamos todo o nosso trajeto, já com a agenda prepara partimos à descoberta e começamos por território nacional em capital Japonesa, sim assistimos ao concerto da dupla portuguesa Lavoisier no Tokyo que desconhecíamos mas que se revelou uma surpresa bastante agradável. Apesar ter sido incrível o MIL não perdoa e tivemos que ir a correr até ao Sabotage, visto que a distância não é grande chegamos a tempo de rever os amigos Galgo que mais uma vez provaram do que são feitos , Riffs, Rock e Skela. O tempo estava a contar e muitas salas para passar 22:15 quando saímos do Sabotage e havia muita coisa a acontecer passamos no Musicbox só para dizer um olá ao tio B Fachada e continuamos até ao Lounge para uma dose de carinho e amor como só a Surma nos sabe dar. De volta ao sabotage BISPO celebravam a música de uma forma que só eles saberão explicar (ou então não), Benjamim entretanto já se fazia soar no palco quente do B’leza rodeado de uma pequena plateia mas que saiu com certeza de estômago cheio. Decidimos permanecer um pouco pelo B’leza, afinal era ali que a seguir iríamos assistir a um grande gig, estou a falar claro de Paus embora Hélio Morais tenha aparecido de muleta nada impediu que fôssemos brindados com o melhor que cá se faz. E como não são só os Paus a fazer a festa do rock no MIL decidimos ir até ao Musicbox ver o que que os meninos Capitão Fausto andavam a tramar, e não foi de grande espanto perceber que tinha lotado a sala entre crowdsurfing e pequenos moshes todos tinham decorado as suas músicas. Para fechar a primeira noite Sun Glitters iluminou o palco do Roterdão com os seus sons eletrónicos que não passaram despercebidos.

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/ 2 JUNHO

Dia 2 foi dia de acordar cedo e assistir a um dos vários Talks que o MIL tinha para nos oferecer, 11:00h e estávamos na Fundação – ARPAD Szenes Vieira da Silva para ouvir um pouco da experiência de Martin Elbourne (em carne e osso) que na companhia de Joaquim Quadros nos falou sobre um dos mais icónicos festivais mundiais o Glastonbury no qual faz booking. Após ter terminado esta Talk aproveitamos para comer algo ( croissant de chocolate e morangos, sim é bastante estranho) e seguir para o próximo que se iria realizar no mesmo espaço, desta vez com o tema “A Arte de Programar” que contou com Isilda Sanches como moderadora e que teve como participantes Fruzsina Szep, diretora do Lollapalooza Berlim, Aziliz Benech representante do MaMA , Vanessa Careta da Música no Coração e Steve Zapp agente da International Talent Booking. Nesta Talk foi-nos mais fácil entender um pouco mais da logística de programação e booking de grandes eventos e do stress que muitas vezes isso causa, conversa puxa conversa e quase durou mais uma hora do que o suposto mas foi uma grande conversa.

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Depois de tanta troca de palavra, veio o descanso do guerreiro e um belo almoço, porque já se previa que o segundo dia seria o mais caótico. Estivemos presentes em 12 showcases! Infelizmente, tivemos que deixar o B’leza de parte neste dia porque nem houve tempo para beber uma Musa. Começamos suavemente com as duas irmãs mais amorosas do mundo, Golden Slumbers, no Tokyo e com Aamar no Lounge que trouxe os seus beats relaxantes do Luxemburgo. Depois de relaxar um pouco e de nos reunirmos no Sabotage, começou a tempestade floral portuguesa conhecida também por The Sunflowers. É preciso dizer mais alguma coisa sobre o Carlos e a Carolina? Achamos que não. Mais uma corridinha para conseguirmos ouvir pelo menos 2 músicas de Éme, Lucas Argel e Vaarwell antes de nos metermos em mais um tremor de terra no Musicbox. Adivinhem quem está de volta ao seu território? Se disseram Linda Martini adivinharam. Quem conseguiu sobreviver as emoções (e empurrões) que se sentiram sabem do que falamos. Enquanto alguns decidiram escolher o Musicbox como abrigo, outros decidiram virar nómadas e procurar novos sons. Desde Diron Animal que meteu todo o Tokyo a dançar , até ao rock de Sun Blossoms no Roterdão e no final uma espreitadela no Sabotage onde Theo Lawrence e os seus The Hearts aqueciam os corações e onde havia vontade de dançar nem que seja com o desconhecido que estava ao nosso lado. Infelizmente, no meio de tanta confusão, só conseguimos presenciar o final de Xinobi, mas que final! Depois, tal como o Óscar, fomos a correr para o Sabotage para acabar a noite com Jibóia.

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No final e depois de descansar as pernas, sentimos que era isto que faltava cá. Dois dias para profissionais, artistas e bandas, fãs de música e curiosos se sentirem em casa e para mostrar que o amor pela música pode dar frutos e vencer até o dia mais negro. Felizmente, já existem datas para o próximo ano. Nos dias 5,6 e 7 de Abril de 2018, o MIL está de volta a Lisboa para mostrar o que de bom se faz dentro e fora de fronteiras.

 

Texto: Vítor Cavalheiro e Gonçalo Morgado
Fotos: Ana Viotti, Joana Baptista, André Anónimo e João Pedro Rodrigues