NOS Alive’17: The Reunion Festival pt 1

O NOS Alive foi sempre o festival em que fez mais sentido estarmos juntas. Foi lá que nos conhecemos e também foi lá que o Side Stage tem feito mais e melhor. Esta edição não foi diferente. E por essa mesma razão este foi o NOS Alive: the reunion festival com bandas, amigos e música. Bem-vindos ao dia 1.

 

RHYE – Bom filho à casa torna.Rhye

Depois de nos terem deslumbrado no mesmo palco, e à mesma hora, os Rhye voltaram a casa e o público português mostrou-lhes o amor que merecem. Um complexo grupo de músicos talentoso, liderado pelo canadiano Mike Milosh, tocaram “clássicos” do romântico “Woman”, disco de 2013 como “Open” e “The Fall”, mas também presentearam este público dedicado com o mais recente tema “Please”. É notório e mais que sabido o quanto esta banda gosta de voltar a Portugal, visto que o nosso encontro com eles já é anual – a estreia foi 2013, que depois se repetiu em 2015 no Lux Frágil, no Super Bock Super Rock e agora, 2017, no mesmo local da estreia. E sempre que os virmos vai ser tão especial como a primeira vez.

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Alt-J– Alt-J já nos levaram além fronteiras.

Outros repetentes, que já nos levaram até à Europa central – já os vimos várias vezes, e em vários formatos, e de todos, devem ter sido aqueles que levaram uma exponencial explosão de fãs visto que os palcos em que atuaram foram sendo cada vez maiores. Agora com o novo álbum “Relaxer” – os Alt J provam que o apesar de tudo, o indie pop também pode ser para as massas; apesar do novo álbum nos parecer um continuum daquilo que tem vindo a acontecer com a evolução natural das coisas, temas de álbuns passados como “Fitzpleasure”, “Breezblocks” e “Matilda” continuam a ser os temas entoados mais efusivamente pelos fãs da banda. Joe, Gus e Thom estão mais adultos, e isso nota-se na presença em palco – e Portugal evidentemente está cá para apoiar a evolução. Facto engraçado: são a única banda que vimos actuar em dois países diferentes no mesmo ano – Pukklepop na Bélgica em 2015.

Blossoms

Blossoms – Os lads de Manchester

Outra estreia em Portugal e nas nossas vidas. Os Blossoms vindos de uma terra perto da minha casa inglesa, Stockport tem andado pelas bocas e por inúmeros palcos do mundo. E não foi surpresa nenhuma quando os vi confirmados para um festival como este. De olhos fechados conseguias perceber a origem destes rapazes e ao abri-los ias só confirmar as suspeitas das suas inspirações. O álbum de estreia Blossoms continua a encantar muitos e sim, We Are Manchester.

 

The XXThe XX – O primeiro amor é para sempre.

Portugal está no coração de muita gente, e sendo assim, os XX não escapam à paixão arrebatadora que é devolvida pelo público português, portanto, tornam, retornam e voltam a voltar. Esta roda viva de partilha de música e emoções começou em 2009 e ter-se-á perpetuado ao longo da carreira da banda. Romy, Oliver e Jamie já disseram várias vezes que Portugal é um dos países favoritos, e isso confirma-se – foi um dos países a receber a primeira edição do festival Night + Day, curado pelos próprios. Agora com “I See You”, the XX mostram-se com uma estética mais curada, com as arestas mais limadas e afirmam-se como dignos cabeças de cartaz. “Islands”, “A Violent Noise” e “On Hold” mostraram que no que tem a ver com os XX, Portugal precisa de mais, todos os anos, mesmo que fora de tour, com o Jamie XX a fazer uns DJ set no Lux. É uma relação simbiótica, em que eles nos dão a música e nós retribuímos com amor. Que voltem, não é cedo demais.

 

Royal BloodRoyal Blood – De um coliseu meio cheio, para um palco Heineken a abarrotar


Da última vez, só os mais conhecedores de Royal Blood se deslocaram ao Coliseu dos Recreios, em 2015 para ver esta banda que eram só dois rapazes em palco a fazer aquilo que melhor sabem fazer, dar-nos música. Um concerto cheio de gás para um coliseu que ainda decidia de sua justiça se os dois rapazes de Brighton mereciam o benefício da dúvida – e mereceram. O que se viu no Palco Heineken, ultrapassou todas as expectativas, confirmou as nossas. Com um segundo álbum muito bem sucedido, os Royal Blood expuseram o seu “sangue real” em que o rock suado é o veículo do oxigénio. “I Only Lie When I Love You” e “Lights Out” foram dois dos temas que levaram o palco Heineken e um público mais do que efusivo à loucura. Os avisos da produção contra os “mosh-pits” não surtiram efeito. E ainda bem, porque o Rock não obedece a regras – quer dizer…obedece a uma “sem cotovelos”!

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The Weeknd– De performer a professor de matemática e geografia

“Cant Feel My Face” e “I Feel It Coming” fizeram parte de muitas das nossas playlists em roadtrips em que o sono já era muito. Passar um dia inteiro na Valada com febre não é fácil, mas graças ao Abel a viagem foi muito mais animada. E foi no NOS Alive que tivemos esta “sorte” de o ver pela primeira vez. Além de cantarmos todos os hits também tivemos direito a uma aula de geografia e de matemática. Obrigada por tudo, sem ti não seriamos capazes de sobreviver a este festival (dá para perceber que estou a viver Inglaterra… nível de sarcasmo a aumentar).

Glass AnimalsGlass Animals – Sim, a ideia do ananás foi nossa

Do Musicbox ao palco Heineken. Eram três da manhã do primeiro dia do NOS Alive e não fomos só nós que decidimos ficar até tarde no recinto: Glass Animals foram a melhor razão e não havia maneira de nos sentirmos culpadas. A energia do Dave ficou entranhada em nós mesmo quando tivemos de esperar uma hora pelo comboio (ao frio e ao vento mas com boa companhia, obrigada Nuno) e ouvir ouvir e também aprender com jeito (sim, Abel não és o melhor professor do festival) How To Be a Human Being ao vivo, fez-nos lembrar que foi esta, a razão tão acertada de ter tomado a decisão de ter chegado tão tarde a casa.

 

 

Texto: Joana Paiva & Raquel Candeias || Fotos: Ana Viotti & Arlindo Camacho || Feature: Raquel Candeias