NOS Alive’17: The Reunion Festival pt 2

Chegamos atrasadas mas viemos a tempo para vos contar o nosso segundo dia no NOS Alive. Foi outro dia de reencontros que fizeram este, o melhor dia desta edição. Ouvimos novos albúms de bandas que têm estado escondidas há demasiado tempo, revimos amigos e claro, fizemos muitas memórias que vão agora ser partilhadas com vocês.

Calcutá – A princesa do coretoCalcutá

A princesinha do Rock no seu projecto a solo, foi a delícia do início deste dia. Se estamos habituados a ver a Teresa lado a lado com os seus Mighty Sands, vê-la ali com a sua guitarra e voz em super destaque é uma experiência mais intima. Embora que acompanhada por banda (amigos na realidade), para nós era “all about Teresa”. O Palco Coreto, ainda que no meio do caos, foi o local ideal para a ouvir, quase como se estivéssemos numa casinha perdida no meio do campo.

Cave StoryCave Story – Uma banda de respeito

Na realidade só conseguimos espreitar Cave Story de raspão, por causa da correria normal que este festival nos proporciona. Mas esta pequena pausa tinha que acontecer. CAVE STORY —> PALCO CLUBBING… É um statement fortissimo que foi visível principalmente neste dia, devido à curadoria do nosso querido Pedro Ramos da Rádio Radar. Não é que não se possa dar um passinho de dança ao som lo-fi dos Cave Story atenção. Mas a nossa cena foi mais abanar a cabeça e mexer desenfriadamente pelo limite da tenda.

Savages – selvagens e maravilhosas Savages

Estas raparigas não param. O tom sofisticado de Jehnny Beth como líder toma as rédeas de um palco Heineken cheio de fãs. Num dia cheio de girl power, as Savages foram um dos realces da noite. O rock limpo mas agressivo, a estética limada até ao mais pequeno promenor está cá para ficar e o público português adora e exige que elas voltem. Entre moshpits e gritos de quem deseja ser como elas, elas marcam território a garras e dentes.

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©AnaViotti_Courteeners-6Courteeners – de desconhecidos a hérois.

Liam e companhia, Courteeners, vindos do Norte de Inglaterra são uma história de sucesso no país de origem, mas de alguma resistência além fronteiras. O seu rock tipicamente inglês apraz aos seus conterrâneos e, com alguma persistência acabou por entrar no coração dos portugueses e atingir o palco NOS. Liam Fray sai de Portugal com uma fanbase renovada e muita amor. Foi tão bom rever estes rapazes, depois de 2013, amadureceram e “Why are you so in love with a notion?”, que abriu o concerto e muitos outros exitos, quebraram qualquer resistência que poderia haver em relação aos Courteeners, agora sem “the”.

©AnaViotti_WARPAINT-10Warpaint – New song, new us

Na verdade, não me lembro vivamente da primeira vez que as vi. E não é bem isso que queria da minha experiência com as Warpaint. Mas desta vez, o Side Stage não se vai mesmo esquecer. Além de termos imensas letras memorizadas, um dos nossos grandes amigos Jono meteu-se no autocarro com elas e acompanho-as em “New Song”. Foi o único concerto do dia em que vimos do inicio ao fim, e ainda queríamos mais. O álbum Heads Up foi um dos grandes álbuns de 2016 e ao vivo é toda aquela quantidade de pop necessária para a nossa sobrevivência. Agora ficamos à espera que toquem mais depois, se calhar, depois do jantar e nós com glitter na cara. Acho necessário.

©AnaViotti_WILD BEASTS-5Wild Beasts – Indomáveis em palco, mas tudo bons rapazes

Com uma setlist conhecida pelo publico que os escutava no placo Heineken, repetentes no nosso país em palcos de várias dimensões, os Wild Beasts formaram um laço com o público que não pode ser quebrado. Houve correria, e um final em que a união se confirmou, com o vocalista, Hayden Thorpe a dar a mão aos fãs da primeira fila enquanto entoava “Celestial Creatures”, um fim perfeito para um concerto que cheio de mitologia envolvente.

 

©AnaViotti_THE KILLS-9The Kills – De volta ao “habitat natural”

Já muita coisa aconteceu desde que vimos os The Kills ela primeira vez. Foi no Optimus alive 2012 e foi nesse mesmo dia que a nossa vida mudou. Para melhor. Alison e Jamie passaram a ser a nossa dupla de eleição e nunca conseguimos usar uma camisa de leopardo sem pensar na Alison. O rock e a qualidade desta banda continua a ser incomparável mas num palco daquela dimensão, a nossa concentração foi desviada para burburinhos e irritações que não deviam ser sequer permitidas. The Kills merecem tudo mas queremos mais e melhor público.

 

©AnaViotti_LOCAL NATIVES-6Local Natives – Daltónicos mas com uma memória que nos enche o coração

“Não são todos os dias que somos entrevistados por três mulheres” e é verdade. Parece que deixamos sempre marca por onde passamos e com os Local Natives não foi excepção. Foi no TMN ao Vivo, o Side Stage ainda só tinha dois meses e soubemos que o Ryan era daltónico da forma mais inocente. Agora, no palco Heineken, a banda de L.A. vem com um álbum novo (que é tão bom mas ainda assim o Humming Bird tem um lugar especial no meu coração). O público estava a ser tudo o que eu gostava e a aplaudir no momento certo… até os Foo Fighters começarem o seu set. Voltem em nome próprio por favor, e Taylor quero mesmo ver-te de tranças.

 

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Foo Fighters Reis sem coroa

Não há duvidas que foi o publico mais “dedicado”. Fez mesmo tudo parar, para ouvir o Dave Grohl cantar. Já muita coisa aconteceu desde a ultima paragem da banda americana em Portugal: Pernas partidas, álbuns e séries de televisão. Mas seis anos depois e já recompostos de qualquer acidente já estavam de volta ao nosso país. Duas horas e meia de concerto eram garantidas e assim foi. Eles são mesmo bons no que fazem e não há mesmo nada a acrescentar. Todas as noites dão aquele concertão e toda a gente vai dormir feliz e concretizado. Se o Grohl é a pessoa mais simpático de sempre ou não ainda não sabemos. Mas quem sabe no próximo concerto…

 

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Floating Points – mentes flutuantes em cima do palco

Para encerrar o palco secundário no segundo dia, o inglês marcou a diferença por apresentar música electrónica pronta para dançar mas também que nos faça pensar. Durante este concerto a nossa mente inebriada pela música percorreu paisagens míticas, viveu histórias de encantar tudo dentro da tenda do palco de secundário. O concerto perfeito para terminar uma noite longa cheia de rock, mas também repleta de musica pronta para aliciar o nosso imaginário.

 

Texto: Joana Paiva,  Raquel Candeias & Ana Viotti || Fotos: Ana Viotti & Arlindo Camacho || Feature: Raquel Candeias