NOS Alive’17: The Reunion Festival pt 3

E assim, chegamos ao último dia do NOS Alive. Depois de um ano cheio de alegrias, desafios e tristezas, tivemos de nos reunir no nosso festival de eleição ara tudo realmente fazer sentido e fazer o que mais gostamos de fazer. Este último dia teve direito aos clássicos Depeche Mode, a dançar ao som da “10cotexas” e ser wild com a peaches.

©AnaViotti_BENJAMIN BOOKER-5Benjamin Booker– a razão do Heineken ser O palco

Fiz aquele trabalho de casa malandro antes do festival. A banda de apoio já nós conhecíamos (baterista de Chet Faker) mas o Benjamin não tanto. Comecei a ler entrevistas e a descobrir mais sobre o músico mas precisava de mais. E foi aqui que tive a estreia de Benjamin em Lisboa e também a estreia de um som que há muito que não tinha. Uma voz rouca, com letras encantadoras num exemplo que tudo e todos merecem uma segunda oportunidade.

©AnaViotti_SPOON-7Spoon– Não os pesquisem no Google, vão a um concerto mas é.

Um amigo nosso antes do concerto perguntou-nos qual é a aparência da banda porque nunca os tinha conseguido encontrar. Em 2014, tivemos a oportunidade de entrevistar o Jim e de ver a sua banda pela primeira vez. Agora no NOS Alive sentimos um som muito mais completo e adequado ao palco que estavam. O rock maduro e intenso é levado a nós sem ajuda de nenhuma faca ou garfo. E nós engolimos sem qualquer restrição de dieta.

 

©AnaViotti_IMAGINE DRAGONS-16Imagine Dragons – os dragões desceram à capital e conquistaram o reino

Desculpem o trocadilho, mas nortenha que se preze faz piadas futebolísticas, mas não é disso que vamos falar. Lá longe está a estreia dos Imagine Dragons em Portugal, numa sala esgotada no Coliseu dos Recreios, mas o apreço que o público tem pela banda liderada por Dan Reynolds continua em grande forma. Um concerto repleto de músicas em que todos os que lá estavam tinham todas as letras na ponta da língua. A energia de todos os elementos da banda foi notável, correndo todo o perímetro do palco desde o primeiro minuto. Desde “It’s Time”, passando pela mais recente “Thunder” e concluindo com o ritmo marcado de “Radioactive” , este concerto foi estrategicamente concebido para agradar às massas. E a receita funcionou.

©AnaViotti_FLEET FOXES-16Fleet Foxes – príncipes no sitio e hora errada.

Uma das minha bandas de eleição para qualquer mood e altura do dia. O primeiro álbum “ Fleet Foxes” encontra-se algures numa caixa de cartão em Inglaterra. Mas normalmente, costuma estar naquela prateleira que é mesmo fácil chegar. Sabia que não ia ser o mesmo. Especialmente, sim, por estarmos num festival e ser o concerto antes da cabeça de cartaz. Foi na mesma especial à sua maneira, mas quero numa sala mais pequena com aqueles candeeiros todos à maneira.

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Depeche Mode  – “oldie but a goodie”

Depeche Mode pode não ser a banda preferida de muitos dos adolescentes que se encontravam no passeio marítimo de Algés, mas é certamente de muitos dos pais que lá se encontravam. E bem. Cabeças de cartaz confirmadas pela segunda vez têm uma fórmula que resulta – apelar à nostalgia dos anos 80 e pôr toda a gente a saudar os belos tempos da juventude. Há que respeitar estes músicos, que realmente resistiram às tempestades musicais e mudanças de estilos que ocorreram ao longo dos tempos e isso só comprova e vinca a sua qualidade. Não era preciso a nossa palavra para confirmar que os Depeche Mode são verdadeiras instituições da música rock. Mas hey! Os miúdos vão sempre saber a “Personal Jesus” e a “Just Can’t Get enough” e isso, meus senhores já é uma grande proeza.

©AnaViotti_SCURU FITCHADU-1Scuru Fitchadu– MIL talento

Quando falamos em Reunion Festival, significa que passámos os ouvidos por muitas bandas com quem já nos tínhamos cruzado, mas na realidade, precisávamos de alguma frescura. Ora esta frescura chegou-nos em formato FURACÃO pela voz, ferrinhos e percussão dos Scuru Fitchadu. Já os tínhamos visto no Musicbox durante o festival MIL – Lisbon International Music Network e foi uma experiência de arromba. Ali, tendo aquele círculo de palco para dominar, entre o balanço inimaginável entre a dança e o peso, entre o abanar de anca e a berraria, Scuru Fitchadu atraíram uma pequena multidão que se rendeu à imprevisibilidade que hoje em dia é quase rara no mundo da música.
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©AnaViotti_CAGE THE ELEPHANT-13Cage the Elephant– fiquem cá, para sempre.

Depois de uma corrente electrizante que passou de Paredes de Coura, para o Coliseu do Porto, chegou a vez do Palco Heineken de receber a força da natureza que é Cage the Elephant. Com a entrada no palco aos saltos, Matt Schultz, rebolou, saltou mais do que é humanamente possível e entregou-se – quase literalmente – ao público. É sabido que todos os fãs de Cage the Elephant são sedentos de música, e emanaram para o palco toda a sua devoção pela banda. Foi sem dúvida um dos melhores concertos do Alive, para todos os que lá passaram.

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©AnaViotti_DISCOTEXAS BAND-1510cotexas– O que é nosso é bom

Quando o talento nacional se junta e organiza a melhor festa que podíamos ter. Xinobi, Moulinex, e Da Chick juntos criaram a Discotexas band. Além de incluírem a hits de cada um dos músicos também tivemos o prazer de ouvir a primeira musica original do grupo “ Family Affair”, composta ela na Madeira, no festival Aleste (a Ana esteve lá e foi épico, diz ela). Se calhar falou-se demasiado inglês mas pronto. Somos um país super internacional agora não é.

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Peaches – Mãe rainha

Rainha, como é conhecida por muitos lados, Peaches é como se fosse um boomerang que sente uma intensa atracção pelo povo português, tanto que vem cá pelo menos uma vez por ano. Peaches é conhecida pelo seu espectáculo motivado pela sexualidade mas conduzido pela música – é venerada por muitos, fez a festa no final do último dia vestida de vagina, sim, de vagina. Ouviram bem. All hail the queen.

 

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Texto: Joana Paiva,  Raquel Candeias & Ana Viotti || Fotos: Ana Viotti, Arlindo Camacho & José Fernandes || Feature: Raquel Candeias