Rua Acima, Rua Abaixo pt. 1 – VODAFONE MEXEFEST’ 17

Como já dizia o provérbio festival molhado, festival abençoado, ok nós sabemos que até nem choveu (era o que faltava também), mas que atire a primeira pedra quem não transpirou ao som da melhor música enquanto subia e descia a Avenida da Liberdade.

Mas quem corre por gosto não cansa, lá fomos Avenida acima até ao Capitólio, neste caso para começar com som contagiante dos Funkamente, é sempre bom começar com o pé direito e assim foi, pé direito a frente, pé  direito atrás até não haver mais tempo para o “bailarico”, até porque a voz do rock começou a fazer a chamada. Desta vez era nos bastidores do Capitólio, e tivemos que ir marcar a presença até porque o rock está escasso e temos que pôr isso em dia. Os Killimanjaro foram os porta-vozes do bom ruído que se faz em Barcelos. Ao lado, já se começa a ouvir o hip hop do artista londrino PAULi, este que é a sombra de grandes artistas (vale a pena dizer nomes como FKA Twigs, Gorillaz… não?), desta vez apresenta-se a ele próprio sozinho no palco para nos apresentar temas que irá lançar no seu EP.

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De volta ao Capitólio mas sem descolar do hip hop e do R&B, assistimos ao grande concerto da portuguesa IAMDDB, sim isto se calhar não será novidade para muitos mas Diana DeBrito nasceu por cá e cresceu em Manchester.

A artista de raízes angolanas surpreendeu todos na sala e envolveu o público com o seu flow, bem disposta interagiu o mais que pode com o seu público de coração afinal de contas ela é “tuga”.

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A noite vai avançando e arrefecendo que fazemos? Uma corrida até ao Coliseu, não estivéssemos nós no festival que mais mexe, isto para ver se não perdermos o concerto de Washed Out projeto Dream pop de Ernest Greene.

O chillwave do norte americano faz qualquer um abanar a anca fechar os olhos e ainda sentir uma leve pitada de psicadelismo. Para quem tem medo do escuro e não quis fechar os olhos também não ficou nada mal servido com as luzes e projeções coloridas que eram cenário para esta sessão de relaxamento coletiva. 

 


Why haven’t you visited Mali? – Os Songhoy Blues estavam curiosos embora soubessem a resposta. A tradicional e bem portuguesa sala da Casa do Alentejo transformou-se rapidamente em terras africanas com sonoridades que poderiam ser de um Jimmy Hendrix em África e com passos de dança que faziam lembrar corvos animados. Se alguém procurava uma injeção de boa energia e positivismo em relação à vida, foi ali que a encontrou. Mas esta explosão de energia levou-nos à Garagem da EPAL onde nos esperava Hak Baker que tinha preparado um folk cheio de feeling, em que as letras nos levam a histórias íntimas e até viscerais.

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Acabou se a paz e a tranquilidade, agora só os mais fortes ficam, abanar a anca e bater o pézinho já não conta, agora é preciso mais, mas calma também não é preciso começar o mosh não seria justificado e até se podiam magoar com a luz e a falta dela a piscar a mil à hora com os strobes da dupla bracarense, Ermo que vieram cheios de vontade para nos mostrar “Lo-fi Moda”.

E com isto já íamos ficando por aqui já estávamos a esquecer nos que tinhamos que correr a todo o vapor para a Estação do Rossio, para ver se não perdíamos este comboio para Espanha, confusos? Pois bem não estejam, estávamos a falar das das nossas (salvo seja) vizinhas Hinds, não é que sejam más raparigas mas aquele tipo de vizinhas que já nem precisam de convite e estão sempre cá por casa, mas até se comportam como deve ser e trazem sempre frescura, verão e pop mascarado de um indie rock bastante simpático.

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Mas mais que as nuestras hermanas ou qualquer outro irmão de terras longínquas, são mesmo os nossos manos de terras lusas, os Orelha Negra . Nada como ter uma sala que por si só já é bastante marcante e épica com um espetáculo que a eleva a um universo maior. O universo cénico com que nos brindam é apenas a cereja no topo do bolo. Dos clássicos aos improvisos, apresentaram também o novo álbum e a realidade é que mal havia espaço para mais alminhas naquele Coliseu.

Ainda conseguem andar ? Oh vá lá até parece que foram para casa sem antes passar pelo sótão do Tivoli e conhecer ou mesmo reconhecer  o artista mais tropicaliente de todo o festival, La Flama Branca até ficaria ofendido ao saber que se foi embora e não passou pelo seu baile no sótão que mais parecia uma festa de adolescentes às escondidas dos pais.

Para os que já conheciam a personagem e para os que tiveram o prazer de dar os seus últimos passos de dança com música latina e de ritmos bem quentes, irão com certeza  ter uma energia extra para o dia seguinte.

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►Dia 2

Texto: Vitor Cavalheiro e Ana Viotti || Fotos: Ana Viotti