Rua Abaixo, Rua Acima pt. 2 – VODAFONE MEXEFEST’17

Achavam que iam ter um fim de semana descansado, a ver filme ou mesmo uma série? Não queríamos nada ser desmancha prazeres mas sábado também é dia de festa no coração da cidade de lisboa. Vá preparem se lá para sair e dar corda aos sapatos que hoje o dia não vai ser fácil, pensando bem até podemos ver isto como um programa de fim de semana como aqueles em que há maratonas da corrida da mulher, só que aqui a maratona é bem mas agradável, ou pelo menos a ideia é mesmo essa.

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Já decidiram por onde começar ? É melhor despacharem-se porque não tarda acaba a exibição do documentário de Charles Bradley e depois já fica mais complicado para organizar o roteiro. Que tal começar hoje com o Hip Hop Lo-fi do Porto, a nos parecemos bastante bem, até porque o Conjunto Corona sabe bastante sobre dar festas (acreditem eles sabem mesmo), e não só por nos darem música estes meninos até hidromel trazem para distribuir por todos.
Depois da sessão de bar aberto com os corona, apanhamos uma daquelas boleias fantásticas para ir ver um gajo, mas calma ele não só um gajo, ele é O Gajo. E que bem que nos soube acalmar da loucura do Capitólio, por aqui respira-se a influência barroca e som da viola Campaniça mais conhecida por viola alentejana ou até mesmo por a Gaja. Do barroco para o neoclássico, do palácio foz para tivoli, que sala magnífica, deixem me que vos diga, e que bem que esta sala serviu a Luis Severo que sozinho ao piano fez cair o público a seus pés com temas como Cabanas do Bonfim (flamingos) ou Canto Diferente que embora já conhecidos pelo público embalam nos sempre e nos reconfortam.


Deixando o intérprete de Cara d’ Anjo e atravessando a estrada, fomos espreitar o cinema de Sº Jorge, e que tão bem comportava a sala Manoel de Oliveira estava, a única coisa que se podia ouvir era a doçura presente na voz de Aldous Harding que juntamente com a baixa iluminação, criou um ambiente que nos envolvia de tal forma que nos prendia com o seu gothic folk despido e vulnerável, a sua voz preencheu cada canto da sala ao mesmo tempo que sua guitarra criava em suas mãos uma harmonia perfeita.

Mas que grande artista desta não vamos esquecer tão cedo.

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Agora que temos “mais” tempo vamos descomprir um pouco, mas que bela maneira de o fazer ao som do rock que se faz nas terras de sua majestade, claro que estamos a falar dos ingleses Childhood, a primeira vista até quase que os confundimos com nossos Capitão Fausto, mas já devia ser o cansaço a falar mais alto, mas até que foi uma surpresa bastante agradável este rock camuflado de Indie Pop ou R&B.

O sossego estava preste a acabar, dois concertos incríveis estão prestes a começar AO MESMO TEMPO, bem mas o que seria o Vodafone Mexefest sem este tipo peripécias que nos obriga a ver um pouco dos dois, mas ainda bem que assim é, não ficamos arrependidos te ter escolhido apenas um mas sim com o melhor dos dois mundos. Julia Holter, um voz, um piano e o seu convidado, encheram o Tivoli, para nos darem uma sessão que juntou melodias bem carregadas, que contra balançavam com a ternura do seu timbre que conciliava na perfeição com as oscilações sintetizadas por Tashi Wada.

E com pouco tempo e já a ficar sem ar fomos ao Tivoli, na esperança de não perdermos Everything Everything, e apesar dos contratempos podemos dizer que vimos o esforço recompensado, até porque eles sabem como por qualquer um a mexer e transformaram o Coliseu uma grande pista de dança, e que bem sabe dançar ao som deste quinteto britânico.

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Se ainda não estamos cansados a esta hora é devido aos Liars, sim tivemos a guardar energia para dançar ao som destes meninos. Meninos esses que misturam música electrónica com punk, se acham que estes dois géneros não combinam é porque perderam um dos grandes concertos do Mexefest, nos lamentamos por vocês até porque não todos os dias que começamos um concerto com Angus Andrew vestido como se fosse uma noiva em palco.
E acabamos sabe-se lá como numa das boleias do festival ao som de Cred Woes.

 

Se existe motivo para termos saído a todo o vapor da estação do Rossio, esse motivo chama-se Sevdaliza, artista Iraniana que juntou Pop experimental há electrónica, é sem sombra de dúvidas uma das grandes promessas da música da atualidade.

Este diamante em bruto não deixou ninguém indiferente e foi um dos melhores momentos desta edição do Vodafone Mexefest e provavelmente também terá sido o concerto mais emocionante.

 

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Vemos por terminado assim mais um Vodafone Mexefest esperamos que se tenham divertido tão ou mais que nós, subindo e descendo a avenida da liberdade ao ritmo do festival que mais mexe e nos aquece, e que nos traz sempre as novidades mais quentinhas do melhor  que vai surgindo da música nova.

Agora sim já podem dar descanso ao corpo e recordar os melhores momentos desta grande edição do Vodafone Mexefest que já deixa saudade.

 

►Dia 1

Texto: Vitor Cavalheiro  ||  Fotos: Ana Viotti