Johanna Glaza @ Musicbox | Lisboa

Uma noite em volta duma fogueira à beira do oceano a contar estórias; foi a isto que soube a noite do passado dia 20 no Musicbox.

Começa com /Lucas e as suas duas parceiras; uma guitarra acústica e uma elétrica. Através delas e com elas, /Lucas inaugura esta noite que acabou a andar à volta de estórias, que os dois cantores e os seus companheiros musicais nos trouxeram. Guitarras que se expressam numa melodia mais aportuguesada (com momentos Pasodoble, em honra dos que se ouviam no carro do seu avô), cheias de cheiro a mar e uma grandiosidade singela, que nos fala sem palavras, orquestrada pelas mãos do seu componente humano, com momentos de liberdade que surpreendem pela positiva quem ouve.

/Lucas despede-se e Johanna entra em palco antes de entrar, através das luzinhas de natal e da sua lâmpada que espalha pequenas estrelas acompanhadas de uma lua, na escuridão do palco.

À alma segue-se o corpo descalço, que entra e toma a sua posição atrás do teclado.

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Johanna encanta-nos como da primeira vez, com as suas histórias de senhoras que queriam viver e se tornaram deusas do mar ou de um dinossauro bebé que carrega às costas a sua mãe. A gentileza e suavidade, como canta as histórias que tornou suas, são capazes de enternecer o coração mais frio.

Dá-nos vontade de encarnarmos um monarca de antigamente e mantê-la cativa para bel prazer dos nossos ouvidos e alma. Ao mesmo tempo, desejamos que a sala vazia por magia se encha e Johanna receba assim o aconchego que merece.

Delicada e com uma força sobrenatural ao mesmo tempo, a voz de Johanna dá vida às suas estórias. O canto da sereia, que nos enfeitiça e nos quebra, de uma forma deliciosa e tão necessária.

“Wind Sculptures” é um álbum cheio de água, como a lituana nos descreve. “Vocês têm o oceano dentro”.

Simplesmente ouvir Johanna Glaza torna-se impossível, já que ela age como nossa guia nesse seu mundo fantástico, que passa assim a ser também um bocadinho nosso. Ouvimos, viajamos, e esquecemos que não estamos sós. Um misto de histórias mais antigas, contidas nos seus EPs, com as mais recentes, do seu primeiro álbum, enchem o espaço e é impossível escolher uma; todas são interpretadas de uma maneira maravilhosa.

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Com uma carta a Nova Iorque (aqui tão perto), Johanna despede-se do palco mas não dos fãs, com quem ainda ficou a trocar umas palavras.

Uma noite que apenas pecou pela falta de público, apesar da presença especial de um simpático fantasma que insistia em interferir com o equipamento de som (Peeves, és tu?). Uma noite que não me importaria de repetir, já já.

A night around a crackling bonfire by the ocean, telling stories; this is what 20th of January night at Musicbox tasted like.

It starts with /Lucas and his two partners in crime; an acoustic and an electric guitar. Through and with them, /Lucas opens this night that ended up circling around the stories the two singers and their musical companions brought us. A more Portuguese guitar (with some Pasodoble moments, in honor of the ones played in his grandpa’s car) spoke to us without words, a sea scented conversation of a humble grandeur, by the hands of their human counterpart, with freedom moments that surprise the ones who listen, in a positive way.

/Lucas says his goodbyes and Johanna enters the stage even before doing so, through her fairy lights and a small bedside lamp that scatters little stars and the moon across the stage darkness.

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The barefoot body follows the spirit, taking its position behind the keyboard.

Johanna delights us, like the first time, with her stories that go from ladies with a newfound will to live that become sea goddesses to baby dinosaurs carrying their late mother. The softness and kindness with which these stories are sung are capable of making the coldest heart flicker.

A desire of doing like ancient times monarchs did and keep Johanna captive to our ears and souls’ joy is born, but quickly it is replaced with the desire that the almost empty venue would be suddenly filled (by magic, as only could be in a night like this), so that Johanna would receive the warmth she definitely deserves.

Both delicate and with a superhuman strength, Johanna’s voice brings her stories to life. A mermaid’s chant, that bewitches and breaks us, in a delicious and oh so necessary way.

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“Wind Sculptures” is an album filled with water, just like us (or at least how Johanna describes us, portuguese). “You have the ocean inside you”.

It becomes impossible to just listen, since Johanna acts as our guide in her own fantastic world, that becomes, with every one of her concerts, also a bit ours. We listen, we wander, and forget there are others in the room. A mingling of older stories, from her EPs, and more recent ones, contained in Johanna’s first album, fill the air and it’s unfair to try to choose a favorite; all of them are performed gorgeously.

With a Letter to New York (so close), Johanna says goodbye to the stage but not to the fans, that have the chance to exchange words and ideas with the singer.

A night that comes short only in the lack of listeners, despite the company of a lovely ghost who insisted on toying with the sound equipment (Peeves, is that you?). A night I wouldn’t mind living all over again, right now as we speak.