Cansei de Ser Sexy + Anarchicks @ TMN ao Vivo

A noite de 8 de Outubro foi dedicada às miúdas. Sim, duas bandas de raparigas, numa noite de total loucura do rock. O TMN ao Vivo recebeu as Cansei de Ser Sexy e convidaram as Anarchicks para fazer a abertura. Nice move there! O ano de 2013 está a ser um ano de ouro para as Anarchicks, que deram um salto gigante (mesmo grande, tipo daqueles trampolins enormes) na cena musical portuguesa. Um dia estão a tocar num pequeno bar ou numa terrinha e no dia seguinte estão no palco principal do SBSR’13 a abrir o dia dos Arctic Monkeys. What? Exacto, se estiveram no TMN ao Vivo naquela noite, perceberam exactamente como isso aconteceu. Estas quatro raparigas irreverentes ‘atiraram-nos à cara’ toda a garra provocadora do rock, como só elas sabem fazer.

Mesmo com a nova vocalista, Marta Lefay, as chickas

apresentaram-se coerentes e com uma energia e cumplicidade latente em palco. O concerto desenrolou-se com um à vontade muito especial, que cria uma cumplicidade entre público e artistas, quase como se as Anarchicks nos tivessem convidado para a sua sala de ensaios. De uma ponta do palco para a outra Katari grita “qual é agora?”. Esta atitude descontraída e descomplexada é uma das grandes mais valias destas raparigas. E atenção Isto não é uma girls band  em que se bamboleiam e estalam os dedinhos enquanto cantam em playback, this is the real shit! São todas magníficas musicas e tocam os seus instrumentos impecavelmente.

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A música como statement assenta-lhes perfeitamente, não só pela imagem com que se apresentam em palco, mas também pela garra com que tocam, vejam-se as faixas “Son of a Beat” (love love this one!) e o single Restraining Order”. Foi um fantástico início de noite. Era a vez das Cansei de Ser Sexy. “Vocês já viram aquela menina que toca flauta pelo nariz ali na praça? Queremos muito contactar ela, se chama Júlia acho.” Lovefoxxx a marcar pontos pela sua irreverência e ideias malucas, sempre.

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As 4 meninas dominaram o concerto, ficando Jon lá no fundo do palco, e os seus únicos momentos de autoridade eram começar a tocar a linha de bateria da música seguinte quando achava que a sua colega vocalista já estava a falar há demasiado tempo (ou ia contar uma história muito longa). Escusado será dizer que Lovefoxxx assumiu o volante naquela noite lisboeta. Portugal é um poiso especial para as nossas amigas brasileiras que confessaram já não falar português em concerto há algum tempo. Trouxeram-nos o seu pop/rock com um toque electrónico, nunca escapando a irreverência denunciada pelo nome com que se apresentam. Semearam a Planta mas não sei se dará grandes frutos, entreteve na altura mas já não ecoa nas nossas cabeças, não é um álbum memorável. No entanto, o set foi inteligente, percorrendo todo o percurso, intercalando grandes êxitos como Move, Music Is My Hot Hot Sex enquanto também nos apresentavam Plantaaos bocadinhos, como Hangover, Honey ou Dynamite

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Já carregam uma longa carreira (10 anos, confessa-nos Lovefoxxx) e é perfeitamente visível em palco. Todos os músicos estão confortáveis, com muita força e facilidade em conectar com o público (eyecontact mesmo!). Podia-se ver em todas elas, mas Ana Rezende foi quem me chamou mais atenção para este facto, é latente que ainda se diverte com a música que toca noite após noite. Esse entusiasmo não se treina nem se compra, apenas se sente. Tivemos direito a 14 músicas das CSS e mais 4 de encore (tocaram a Superafim yeeeeey era a minha musica de eleição no ano em que entrei na faculdade). ‘Pode ser o fim ou pode não ser o fim ou pode ser o fim ou pode não ser’ foi assim o falso final com direito a uma saída repentina feita a correr para fora do palco (até me assustei, pensava que tinha acontecido qualquer coisa!). O regresso foi épico, com direito a capa preta/dourada e crowd surfing (no fim da Alalaobviamente) e a partilha do ‘cheiro a bafo’ das roupas que vestiam, visto que estava a aproximar-se o fim da tour.

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PS: O cabelo da Lovefoxxx é qualquer coisa de especial, juro que tem vida própria (será efectivamente real sequer?). A esvoaçar com o vento acompanhado pelos seus característicos movimentos de dança super teatrais... Lindo. texto e fotos de/text and photos by Ana Viotti Anarchicks

Miles Kane @ TMN ao Vivo

Miles Kane @ TMN ao Vivo

Mood em entrevista