Vodafone Mexefest | 29 de Novembro

Vodafone Mexefest | 29 de Novembro

O dia já ia longo, afinal o Side Stage Collective já estava em preparação desde as 15H00, mas não era pelo cansaço da semana que estava a acabar que íamos abdicar de ir ver alguns dos artistas que estão agora a crescer no mundo da música.

Tudo começou no Cinema São Jorge, em alvoroço, com rapazes e raparigas, na casa do vinte e trinta anos a tentarem trocar o seu bilhete pela pulseira que lhes iria dar acesso ao mudo maravilhoso do Mexefest. Depois disto era tempo de começar a saga das entrevistas! Estivemos à conversa com os franceses Alba Lua e com os kind of escoceses Young Fathers (infelizmente, não conseguimos assistir às suas performances, mas publicaremos as entrevistas em breve, vão gostar garanto).

Descemos a Avenida, e a nossa jornada começou no concerto das Bloom Twins, na Igreja São Luís dos Franceses, ali mesmo ao pé do Coliseu. Estas gémeas – o nome da banda não foi por acaso - ucranianas (agora londoners), de 17 anos estrearam-se em Portugal com um concerto “de gente grande”. Desde a entrada destas miúdas em palco que o público ficou cativado, não fossem elas donas de uma beleza de leste que dá nas vistas. O “dark pop” que tocam contrasta de certa forma as suas personas em palco, extrovertidas e divertidas, como adolescentes que são. As Bloom Twins, que sim, estão a florescer, são dotadas nãos só de vozes harmoniosas e com um controlo notável para a idade mas também de uma versatilidade tal que recorreram a samples, teclas, e até flauta transversal... Músicas como “Farenheit” são um prenúncio de que vamos ouvir falar destas gémeas no futuro. Um dos episódios marcantes deste concerto foi a má pontaria de uma das gémeas (não sei qual delas, agora, elas são iguais), que atirou umas das t-shirts com tal força que foi parar a um candelabro da igreja, mas não faz mal, Deus perdoa. Agora, nós por cá esperamos o primeiro EP das Bloom Twins que irá sair no próximo ano.

Depois disto o nosso lema foi divide and conquer – nunca podíamos estar as três no mesmo sítio ao mesmo tempo (well foi só neste momento na realidade, somos inseparáveis).

Depois da primeira experiência, numa igreja e em ambiente “bubbly” e “cute” seguimos para algo mais crú, mais rock, mais sujo. Os Bombay Show Pig estavam a tocar no Ateneu. Entramos ainda a sala estava a encher, mas mal a dupla holandesa entrou, trouxe ao palco uma química incrível que se estendeu ao público. A baterista, Linda van Leeuwen, muito ao estilo de Julie Edwards das Deap Vally, dá um toque bem feminino aos ritmos frenético da banda enquanto Mathias Janmaat tocava melodias de “garage pop” com alguns toques de sampling que davam outro “cheirinho” à cena. Mesmo com uma acústica que deixava um bocado a desejar – tocar num pavilhão gimnodesportivo é sempre uma aventura – os Bombay Show Pig souberam dar a volta deixando toda a energia em palco saciando a sede de uma multidão desejosa de ouvir coisas novas. Uma set que contou com “Wires” e ainda uma cover de Beck, os Bombay Show Pig aqueceram o Ateneu.

Não há tempo para procrastinação no Mexefest! Continuamos por aqueles lados e chegou a altura de ir visitar a maior sala no festival, o Coliseu dos Recreios. Savages, uma das maiores promessas do festival e não deixaram nada a desejar. O impacto da set que apresentaram foi soberbo, não só por serem músicas fantásticas, mas também pela forma como expressam a sua música. Apresentadas em full black e lideradas por Jenny Beth, o palco é incendiado pela personalidade peculiar dos movimentos da vocalista. Músicas como "No Face" e "Hit Me" mostraram o carinho que os portugueses têm pelas quatro raparigas inglesas, mesmo que elas nos tenham visitado há pouco tempo, o público acompanhou cantando em plenos pulmões. Embora Jenny não seja muito comunicativa com o público, o momento mais marcante do concerto foi a pausa de um par de minutos na set para poder observar o público do Coliseu que as aplaudia, transformando-se num momento emotivamente forte tanto para ela como para nós. 

E porque não era Mexefest se a Avenida da Liberdade não estivesse cheia de gente (menos cheia que o ano passado) a andar em passo muito acelerado em diferentes direções, às vezes chocando uns contra os outros, pusemo-nos a mexer (ahah) em direcção ao São Jorge para apanharmos um bocadinho de John Grant. Numa sala com lotação esgotada e acompanhado de cinco músicos cantou a sua experiência de vida, conturbada mas marcada com um positivismo e uma vontade de viver de louvar. “Silence is a Weapon” foi uma das muitas músicas que deu para verificar a lucidez com que Grant analisa o mundo à sua volta, e isto, meus amigos, impressiona (a nossa fotógrafa emocionou-se um pouco com a performance de John Grant, tal era o peso emocional vivido naquela sala).Viemos a correr pela Avenida fora para apanharmos os californianos Wavves, que na noite anterior andaram perdidos e bêbados pelo Bairro Alto. Mas chegadas ao Ateneu, foi absolutamente impossível subir sequer as escadas. Segundo fontes amigas, o concerto foi brutal e eles snifaram coca em palco, Nem acredito que perdemos este momento.

Depois da experiência comovente que foi John Grant, dirigimo-nos para aquele que era o concerto mais esperado da noite por muitos. Woodkid, nome artistíco de Yoann Lemoine, subiu ao palco num Coliseu totalmente cheio que o recebeu de braços e pulmões abertos. Se há uma palavra para caracterizar um concerto de Woodkid, essa palavra é ÉPICO. Não fomos apenas ver um concerto, Yoann conta-nos a sua história através da música, da imagem, da luz... é um espectáculo completo que satisfaz todos os sentidos. Uma tela atrás no palco, passava curtas-metragens a preto e branco (da sua autoria) que ilustravam cada uma das músicas. Numa plataforma que elevava os dois percussionistas (alinhados em espelho), servia também de local de refúgio de Yoann, onde ele próprio ia sentir a música. O rufar de tambores parecia anunciar uma revolução e, sinceramente, depois deste concerto houve o nascimento de um novo ídolo por terras lusas. Para além de cantor, é compositor, realizador, basicamente um artista do Renascimento em tempos modernos. Foi uma estreia em Portugal memorável, que o deixou exausto, emocional e fisicamente, por não estar à espera desta reação do público. Músicas como “I Love you”, dedicada aos rapazes da sala, “Brooklyn” em dedicatória à cidade onde reside agora e “Run, Boy, Run” foram algumas das muitas músicas que mereceram gritos e aplausos infindáveis que ecoavam por todos os pontos do Coliseu. Ele volta. Ele merece e nós também!

texto por Joana Paiva e Ana Viotti -> fotos também

Vodafone Mexefest | 30 de Novembro

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These New Puritans + Erica Buettner

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