NOS Alive // 10 de julho

NOS Alive // 10 de julho

Dia 10 de Julho, o primeiro dia do (primeiro) NOS Alive foi marcado por muitos momentos: aqui estão aqueles que mereceram destaque do Side Stage Collective:

AQUELE MOMENTO EM QUE...

1. Vimos Arctic Monkeys depois de algumas (mais de três) tentativas falhadas de o fazer...

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A banda mais aguardada do festival, sem dúvida. Não vamos cá entrar em discussões sobre o facto de eles estarem na moda, ou estarem mais giros. É bom que as pessoas gostem de Arctic Monkeys. Eles são bons, caramba. Não interessa a idade do público, se gostam, mesmo que seja de uma música, deixem gostar.

O set começou com “Do I wanna Know” - originando um sing along brutal – não fosse este um dos tão falados singles de rádio.

AM foi a grande fatia do set de Arctic Monkeys que não deixaram de revisitar o passado e brindar os fãs mais velhos com músicas com “505”ou “Flourescent Adolescent”.

A opinião geral sobre AM foi que depois de “Knee Socks” o concerto foi mais morno do que que se estava à espera, mas já se sabe, bandas como AM são mais músicos do que entertainers, apesar que nesta vertente eles têm melhorado bastante – principalmente apelando aos gritos da miúdas como aconteceu na introdução de “I bet that you look good on the dancefloor” em que Alex Turner, numa voz grave e com o sotaque de Sheffield diz “This one is for the girls”.

Um concerto que agradou aos largos milhares e deixou no encore a eterna questão no ar “Lisbon R U Mine?” Sim, Alex. Somos. Agora vai pentear o cabelo porque tens aí um caracol mesmo desalinhado.

2. O Passeio Marítimo de Algés se tornou uma colmeia...

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Ben Howard

Ben Howard tem muitos fãs em Portugal, e muitos desses fãs são casais, os casais beijam-se, os casais beijam-se à frente e muito próximo de outras pessoas – portanto há “o”mel, eles são as abelhas, daí a colmeia.

As músicas leves com um feel de Verão (para todos menos para Ben Howard que sentiu a necessidade de se tapar até ao pescoço) estavam na ponta da língua do público.

Com uma banda espectacularmente talentosa, nomeadamente India, a instrumentista multifunções que ocupa a frente do palco com Ben, apresentaram um concerto bastante bom para aquecimento do dia esgotado – apesar de preferirmos vê-los numa sala mais pequena, num ambiente mais intímo em acústico (sem ser o Urban Beach, por amor de Deus).

Entre músicas do álbum “Every Kingdom” de 2011 como “Keep you head up”, “Old Pine” e “Only Love”, foram apresentadas algumas músicas novas.

No entanto, apesar do talento no palco, o set não foi perfeito, principalmente porque ficou marcado por várias falhas do som, algo que aconteceu várias vezes durante o festival #sadface.

3. Dormimos uma power nap até os Elbow tocarem “Grounds For Divorce”

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Elbow

O Set de Elbow, que não são novatos nestas andanças, ensinou-nos várias coisas, como por exemplo, como lidar com um amigo que acabou de ter o seu coração partido: “take him to a club, drink and do some drugs”.

Com nuances mágicas, a música de Elbow é perfeita para ouvir enquanto deitado a olhar para as estrelas, que foi o que nós efectivamente fizemos.

Depois de um início bastante lento, “Grounds For Divorce” aumentou a temperatura um bocadinho mais, pondo-nos mais alegres e acordadas daquele sono mágico que tinha acontecido até lá.

Oriundos de Manchester e com muitos conterrâneos no público, o vocalista de Elbow acabou por mandá-los calar porque receava que o público se assustasse. Os portugueses já apanharam com tanto, não são os ingleses que nos vão assustar.

Músicos geniais, conquistaram não só – e de novo – os fãs mais antigos, como o fizeram na angariação de novos fãs.

 4. Os Imagine Dragons tem gerador de electricidade incorporado

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Imagine Dragons

Estás a ver aquela altura em que chegas às mil milhas e consegues um upgrade para primeira classe para o maior voo da tua vida? Isto aconteceu aos Imagine Dragons. Conseguiram “milhas” suficientes para irem para o palco NOS. Aposta feita, aposta ganha.

  1. Dan Reynolds é um frontman indiscutível. Irrequieto, fez questão de andar de um lado para o outro dificultando o trabalho dos fotógrafos.

  2. A percussão é a linha que conduz esta banda, pela mão de Daniel Platzman, e em algumas músicas por todos os membros da banda.

  3. O público sabe mais músicas do que “On Top of The World”.

  4. O álbum de 2012 “Night Visions” continua ainda a agradar, doa a quem doer.

  5. Eles gostam muito de Portugal, genuinamente.

  6. A “Song 2” de Blur é conhecida por pessoas com menos de vinte anos – e isso é muito bom sinal.

  7. Tal como em Foster the People, tivemos direito a Dance Party durante uma hora e pouco.

  8. A dinâmica entre Wayne Sermon, Daniel Platzman, Dan Reynolds, Ben McKee e Ryan Walker é algo de especial.

  9. Os Imagine Dragons mudaram para o palco NOS porque é o único com gerador de electricidade. Está explicado.

  10. “Radioactive” vai se tornar um hino de estádio. Temos pena.

5. Fizemos uma viagem no tempo para os anos 60...

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Temples

Actualmente, o termo psicadélico é muito usado (até demais) para descrever bandas que focam a vibe dos anos 60, mas Temples fazem mais do que isso, levam-nos numa viagem atrás no tempo, até há altura em que o mundo era mais livre criativamente e as pessoas usavam roupas que lhes permitiam quase voar a partir do seu core.

De uma banda destas seria de esperar que as suas almas velhas não interagissem tanto com o público, mas isso não aconteceu! O público fez parte de todo o espectáculo – seja com palminhas ritmadas – muito bem praticado em “ A Question isn't answered”, coros bem audíveis ou charme natural.

Esperamos ansiosamente pela canção que tanto nos leva a perder as estribeiras - os acordes da “Mesmerise” começaram e sabíamos que quem estava naquele palco eram sem dúvida os Temples. Para um álbum como“Sun Structures”, com tão poucos meses, já conquistaram muito mais do que um espaço na música vinda de Inglaterra. Estão, slowly but steady a conquistar um lugar no mundo.

Será muito exagerado dizer que estes 4 rapazes inspiram a vida do Side Stage Collective? James, Thomas, Sam e o Adam saíram de Kettering mas estranhamente voltaram de novo à cidade para gerar Temples. Tal como nós, Temples criaram tudo, eles próprios nos seus quartos e sem que ninguém esperasse o seu trabalho, com a aquele nível de qualidade. O que nos une é a música. - a paixão pela música.

6. Em que vimos o nosso guilty pleasure e não nos sentimos culpadas em relação a esse facto.

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The 1975

Bom, leram bem. The 1975 é aquela banda que ouvimos quando vamos pela rua e queremos mesmo fazer de conta e exagerar o nosso sotaque brit. De alguma forma, the 1975 têm músicas que se adequam para todas as ocasiões. TODAS.

Matt Haley, vocalista fez questão de mostrar o que – aparentemente – tem de melhor. O seu tronco? De camisa aberta (para a próxima oferecemos um kit de costura e alguns botões), entrou no palco Heineken a fazer piruetas e a beber vinho – pela garrafa – como uma verdadeira rockstar.

Podem bem não ser – e não são – a melhor banda ao vivo, mas a verdade é que têm energia para dar e vender.

No meio de álcool, tabaco e – provavelmente – algum cheirinho a “chocolate” os the 1975 deram um set num placo Heineken repleto de fãs, que sabiam todas as letras de músicas “The City”, “Robbers”, “Settle Down” e o hit do álbum homónimo de 2013 “Chocolate” - prometendo aos portugueses que voltariam, em nome próprio – e nós não confirmamos nem negamos o facto de estarmos um bocadinho ansiosas para que isso aconteça.

texto // Joana Paiva e Raquel Candeias

fotos // Ana Viotti [mais fotos deste dia AQUI]

NOS Alive // 11 de julho

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Jagwar Ma em Entrevista

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