NOS Primavera Sound || Dia 2

NOS Primavera Sound || Dia 2

No dia 1 do NOS Primavera, o verde foi a cor de destaque mas agora a história é outra. No segundo dia, choramos com a Patti Smith, fizemos a festa com Jungle e Run The Jewels e fizemos amigos para a vida com José González. Bem vindos aos 9 tons de amarelo do dia 2 do NOS Primavera Sound.  

Patti Smith

Patti Smith

O que aconteceu no palco NOS entre as 7 e as 8 da noite (ainda de dia),  não tem qualquer descrição possível. Nem por palavras. Nem por imagens. Nem por sons ou qualquer outra coisa que seja. Posso no entanto dizer que estava mais que entusiasmada para ver Patti Smith ao vivo pela primeira vez (sonho de menina!) ainda para mais, a tocar Horses na íntegra. Tanto era o entusiasmo que não esperava partir-me em lágrimas assim que Patti pisou o palco. E as lágrimas continuaram a escorrer enquanto soletrávamos G-L-O-R-I-A. Sentia-se todo o público a olhar para ela como uma deusa ou rainha que tal, com o mesmo brilho que tinha há 40 anos atrás quando escreveu aquelas músicas. Após relembrarmos quem já não está connosco, ainda nos ofereceu um “Because the Night” e o mais poderoso “People Have The Power” que inspirou todos os que ali estavam, de punho no ar.

Yasmine Hamdan

Yasmine Hamdan

O poder feminino desta vez veio de um pais diferente do que estamos habituados, o que não fez o Parque da Cidade torcer o nariz, até pelo contrário. O palco ATP não podia estar melhor frequentado com a libanesa Yasmine e a sua fantástica banda. Desde o baterista com o cabelo mais cool de sempre ao baixista que não sabemos muito bem como é possível ser tão bom, Yasmine descalça e com uma sensualidade única deu um concerto que fez inveja a muitos e nos fez lembrar a primeira vez que vimos Skip&Die e a grandiosa Cata Pirata a dançar. (Ah, e caso não perceberam... a banda era mesmo boa!)  

Jungle

Jungle

Jungle tem sido a resposta quando me perguntam o que me apetece ouvir naqueles dias de “chill out”. Por alguma razão tinha na minha cabeça que este grupo eram as pessoas que estavam no vídeo ‘Busy Earnin’ e não é que não podia estar mais enganada? No palco estavam 7 músicos, quatro deles responsáveis pelas vocais. Fascinante não é? Entre ‘Julia’, ‘The Heat’ e acabar o dia a ouvir ‘Time’ fez-nos pensar que não é todos os dias que tal coisa acontece. O publico pediu encore e nós por mais que desejávamos o conforto da nossa caminha no Hotel Poveira não nos importávamos nada. Tivemos três concertos a começar à mesma hora mas não podíamos ter tomado uma melhor decisão do que correr para assistir ao fim da atuação de Jungle.

José Gonzaléz

José González

A nossa vida mudou para sempre no concerto do José González. Acham um pouco exagerado? Então esperem um bocadinho. Em Março, o Side Stage não conseguiu assistir aos encantos do sueco José (que pensamos sempre que é espanhol mas pronto) no CCB por isso quisemos compensar no Parque da Cidade. Entre os êxitos ‘Teardrop’ e ‘Stay Alive’ decidimos tirar da mala os nossos instrumentos e dar um apoio improvisado ao José González (como podem ver aqui). Os olhares desconfiados do publico não nos intimidou, porque em ‘Heartbearts’ tivemos o prazer de incluir o fantástico Edgar na nossa banda. José González, obrigado por dares o poder de unir pessoas com boa vibe e que gostam de abanar ananases tal como nós. #somostodosedgar  

Run The Jewels

Run The Jewels

RUN THEM RUN THEM JEWELS FAST! Instantaneamente agarrámo-nos à nossa invisible 36 inch chain e todos os beats corriam pelas nossas veias, músculos, pele, cabelos... Foi intenso. Killer Mike e El-P sabem o que fazem e dizem tudo o que têm a dizer (honestamente, com o que se passa no mundo, haja alguém com “bolas” para o dizer, ainda por cima da maneira mais cool de sempre). Foi o único concerto que eu vi rodeado de polícia, o que fez da Close Your Eyes uma ironia completa. Infelizmente (a sério, infelizmente mesmo) não pudemos ficar até ao fim, mas Run The Jewels por favor voltem.  

Belle & Sebastian

Belle & Sebastian

Belle and Sebastian foi mais do que um concerto - uma celebração. Nobody's Empire, que abriu um concerto terá sido, provavelmente - pelo menos pelo público mais novo - o tema mais aplaudido, nunca esquecendo o mérito e os hinos mais antigos da banda que se estabeleceu em 1996. Apesar de um concerto curto, foi suficiente para criar uma dance party, num ambiente amoroso que invocava a origem no nome da banda. Apesar de tudo isto, nunca iremos esquecer o final do concerto. Algo acontece dentro de nós quando o público é chamado para ir ao palco - e foi isso que aconteceu, cerca de 30 fãs da banda subiram ao palco e dançaram e celebraram como se não houvesse amanhã - alguns fãs bem perto do vocalista, Stuart Murdoch, vestidos com uma onsie de elefante.  

Banda do Mar

Banda do Mar

Nada mais agradável e amoroso do que chegar ao recinto e ouvir a doce voz da Mallu Magalhães, harmonizada com a de Marcelo Camelo, com ritmos tropicais do Fred. Banhados pelo sol, pudemos ouvir as músicas do álbum de estreia da banda, que junta Portugal e Brasil no lindo prato servido ao fim da tarde sentados numa toalha de piquenique com os amigos (cenário que se podia observar pela colina acima). A já famosíssima “Mais Ninguém” foi entoada pelas vozes que se juntavam em frente ao palco e aqueceu-nos o coração para o resto do dia.  

Younghusband
Ariel Pink

Younghusband e Ariel Pink

Dois estilos completamente diferentes mas que entraram para o mesmo cantinho do nosso coração. De um lado temos o norte-americano Ariel Pink no palco Pitchfork, dono de uma atitude e aparência peculiar (com tantas mudanças de cor de cabelo, bem que ele podia fazer parte do logo do Side Stage) que veio mostrar aos portugueses, mesmo lutando contra uns problemas técnicos no som muitos dos seus êxitos e claro, o seu mais recente álbum ‘pom pom’! Do outro lado, os britânicos Younghusband, (entrevista brevemente!) muito mais low profile mas que trouxeram uma energia diferente ao palco ATP. É óbvio que são fãs de bandas psicadélicas mas Younghusband conseguiram ‘sugar’ o lado mais pop do que bandas como TOY e The Horrors têm para dar.  

The Replacements

The Replacements

O regresso do punk com uma energia extraordinária e com uma surpreendente legião de fãs que curtiram aquele concerto com tudo o que tinham (provavelmente por saberem que se calhar não vão ter outra oportunidade). Não ficamos muito tempo porque a fome já apertava mas que fomos cheias de energia (para a fila mas não importa). Vê-los em palco a tocar como se ainda fossem miúdos, a fazer caretas e no fundo, a tocar clássicos que mudaram o rumo da música, sentimo-nos em 84 como se não houvesse uma ruga em palco.    

Antony and The Johnsons

Antony and The Johnsons

Se Meatloaf renascesse das cinzas com uma aura ainda mais dramática essa pessoa seria - Anthony Hagerty. É inegável que para além de vocalista com um alcance que muitos invejam, é um performer poderoso, por vezes assustador - diria até no sentido literal. Começamos o concerto com a entrada de 50 músicos, locais uma orquestra total, seguida de uma figura esguia, coberta por aquilo que parecia ser um lençol branco - que de forma metafórica batia as asas, sem conseguir voar. Depois da saida desta figura enigmática, chega entao Anthony. Este concerto seria perfeito se fosse realizado num auditório, o festival retirou alguma magia ao ambiente que se sentia com todos os "ssshhhh" desagradáveis que se iam ouvindo um pouco por todo o lado.  

Texto: Ana Viotti, Joana Paiva e Raquel Candeias | Fotos: Ana Viotti

NOS Primavera Sound || Dia 3

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NOS Primavera Sound ||  Dia 1

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