NOS Primavera Sound || Dia 3

NOS Primavera Sound || Dia 3

E chegamos ao último dia do NOS Primavera Sound. Foram três dias de pura correria e loucura mas é disso que nós gostamos - em breve vão poder ver como foram os nossos dias na Invicta. Se no dia 1 tivemos verde e no dia 2 tivemos amarelo, hoje chegou a hora de apresentar os 10 tons de azul do dia 3 do NOS Primavera Sound onde fechamos esta edição do festival com o concerto fantástico dos Ought, assistimos de perto à loucura dos Foxygen e soltamos uns passos de dança meio estranhos com o Baxter Dury.

Foxygen

Foxygen

Eram dez para as oito, com o sol ainda a bater no palco Super Bock quando Foxygen entraram em palco. Na semana anterior, tinha feito batota e fui ver uns 5 minutos do livestream do Primavera Sound em Barcelona e ali estavam eles com a mesma roupa (ainda estamos a averiguar se são mesmo patrocinados pela Urban Outfitters). Sam começou o concerto bem perto do público, as três dançarinas não desligaram as pilhas por um segundo e aquele concerto tornou-se numa experiencia difícil de ser repetida e descrita a pessoas que não a viveram de perto. É um concerto que ultrapassa todos os limites de um concerto ao vivo, misturado com uma peça de teatro com cheirinhos de stand up comedy tudo embrulhado com luzes de natal, flores e velas. O público assistiu desde de um cover de Beatles ao auge da sua atuação teatral na ‘Hot Summer’, já para não falar do fim com ‘Everyone Needs Love’ . Mas nós não fomos os únicos a ficar a ganhar. O que é que os Foxygen ganharam? Centenas de novos fãs e o Sam um valente arranhão no peito que juramos que não estava ali no inicio do concerto (shame on you, fãs que o deixaram cair).  

Ought

Ought

Entrevistamos 3/4 dos Ought no espaço Milaneza ao som de Death Cab for Cutie mas foi às duas da manhã que podemos assistir quem era a verdadeira banda. Não demorou muito até percebermos que o Tim que tínhamos entrevistado não tinha subido ao palco. Se calhar tinha ficado lá esquecido a lutar por um sofá (longa história), porque a cantar estava um rapaz, vestido e com aparência idêntica só que no entanto a sua atitude e voz robótica não se encaixavam à pessoa que tínhamos conhecido horas antes! Não nos vamos dar ao trabalho a procurar uma comparação adequada ao que assistimos, foi algo mágico e inspirador que só deixa o Canadá com bom nome. Nos dias anteriores, tínhamos sempre fechado o dia com uma banda com vibes ‘electrónicas’ mas não consigo pensar numa melhor maneira de fechar o festival sem ser com Ought.

Baxter Dury

Baxter Dury

Se queremos falar de irreverência em palco basta falar no concerto que Baxter Dury deu no NOS PRIMAVERA SOUND. O aquecimento do palco NOS ficou ao cargo deste homem, que mais do que um músico, foi um grande entertainer que não deixou de elogiar o público – dedicando “Happy Soup” aos seus “pretty little bunnies”. Não se pode negar que Baxter é uma persona colorida que deixa qualquer pessoa com um sorriso rasgado. “Coicaine man” foi servida com ferrero rochers (fora de época) que foram tirados ao público.  

The New Pornographers

The New Pornographers

The New Pornographers eram sem dúvida uma das bandas mais esperadas no palco para lá do arco-íris (ATP).  Sobre a banda do Canadá muito se pode dizer – a nível musical são impecáveis, mas fica sempre a carência de contacto com o público. Mesmo assim, foi um concerto bem bom que deu para ouvir ao vivo temas como “Dancehall Domine” e “Brill Bruises”.    

Underworld

Underworld

Os Underworld entraram em palco com uma explosão de luzes e fumo e uma projecção enorme com os títulos das músicas que ecoavam e retratavam o fantastico e caótico album dubnobasswithmyheadman de 1994. Afinal, foram convidados para o tocar na integra (uma tendência que nos começamos a habituar e adorar!) Techno Dance Moves, era o que se via pela colina fora, dançados por quem ainda se lembra como foi 94 e também por aqueles que ainda não tinham nascido. Cada música transbordava guitarra e sintetizadores com Karl Hyde a cantar as letras em loop sem apoio tecnológico de pedais ou coisas que tais! Um concerto épico que ninguém queria que acabasse (sei que ainda vai ecoar durante muito tempo na cabeça de muitos)

Ex Hex
Babes in Toyland

Ex Hex  e Babes in Toyland

Decidimos unir estas duas bandas com um poder feminino único. Ex Hex formadas há dois anos mas com uma vocalista que já está habituada a estas andanças, Mary Timony das Wild Flag e as Babes in Toyland que são um clássico e viveram ao Porto mostrar o que ainda têm para dar. Infelizmente, em ambos dos casos ficamos só por passagem. Em Babes in Toyland, ainda estávamos a recuperar do concerto dos Foxygen que nos tirou toda a energia possível e em Ex Hex tínhamos acabado de sair de um entrevista mas ainda conseguimos ouvir ‘Waterfall’.

The KVB

The KVB

Após uma entrevista escondida por entre as árvores, tudo o que queríamos era ver The KVB ao vivo. A curiosidade de ver Nicholas Wood e Kat Day a fazer a transição de tímidos fora do palco para energéticos mas com os cabelos para baixo (shoegaze style) foi muito interessante. Apresentaram-se em palco com o resto da banda para nos transportar para uma espécie de sonho ou memória distante. No palco, as luzes atravessavam as nuvens de fundo criando um efeito idílico em que quase só reconhecíamos silhuetas e claro, tudo fez sentido ao som electrizante e minimalista que nos vieram apresentar.  

Ride

Ride

“Here we go again” – depois de anunciarem o fim da banda, decidiram reunir-se e mostrar esse resultado em terras lusas. “Dreams Burn Down”, “Vapour Trail” e “Drive Blind” – foram certamente as músicas que merceram uma maior explosão dos que estavam ali para ver a banda inglesa – num concerto seguro mas não menos brilhante.  

Damien Rice

Damien Rice

Damien Rice bem tem potencial para aborrecimento, no entanto o seu génio na guitarra consegue agarrar quem de mais céptico se encontrava pelo festival. Os temas escritos por Damien Rice são de uma nostalgia pelo amor perdido e nunca mais encontrado, mas sempre com uma esperança como demonstrado pela luz unifocal que incidia sobre ele. “Cannonball” e “I remember” são bons exemplos disto. Mas nada como “The Blower’s Daughter” – a música mais aclamada do irlandês, que fez a delícia dos fãs.   .

Manel Cruz
Xyloris White

Manel Cruz e Xylouris White

“Manel Cruz, Ai jesus” – Não é jesus, mas tem manias de São Pedro. Manel Cruz tomou o crédito do Sol e foi dos poucos actos nacionais a tocar no festival. Aqui, no Porto, apresentou “Estação de Serviço” sempre com um som de influências Latino-Americanas mas à bom português. Houve revisão de alguns temas dos Foge Foge Bandido ou Supernada, bem a combinar com o ambiente nostálgico que se sentia no festival. Em Xylouris White podemos ver dois homens em palco. Duas figuras marcantes. Um australiano e um grego – dedicam-se à instrumentalidade da música de Creta. Uma música étnica que nos transporta aos pores do sol gregos, com a brisa marítima e o ambiente de festa. A verdadeira definição de world music.  

Texto: Ana Viotti, Joana Paiva e Raquel Candeias | Fotos: Ana Viotti e Carlota Caldeira

Younghusband | Interview

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NOS Primavera Sound || Dia 2

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