NZCA LINES // "Infinite Summer" // Review

NZCA LINES // "Infinite Summer" // Review

Porque ouvir um álbum por ordem é mainstream, organizei (depois de eu própria ser mainstream e ouvir o álbum como o autor entendia) as músicas de "Infinite Summer" de NZCA LINES por mês de Verão, de acordo com o feel que sentia. Este álbum é sem dúvida uma viagem épica por cenários apocalípticos, tanto físicos como relacionais, o que faz com que este álbum seja diferente, fresco e um conceito fora-da-caixa dentro daquilo que é a música Electro Pop.  

// Junho //

Como o início do Verão, “Approach”, a primeira música do álbum – começa com uma melodia em violino e uma introdução falada em francês que dá um tom de abertura bastante sofisticado e épico ao álbum, como se fosse começar uma epopeia musical de rumo ao Apocalipse. No início do Verão temos direito a dias longos, “Sunlight”  tem uma melodia mais baseada em percussão, soa a início de Verão, enquanto ainda nos estamos a habituar à ideia “até que nos rendemos à luz do sol”. “Jessica” para quem gosta de Doctor Who (worth knowing, acreditem!), vai pensar que a voz de Lovett é o Doctor à procura de uma nova companion para as suas aventuras. Uma música adequada para ouvir numa pôr-do-sol na praia enquanto se canta com os amigos e se olha para a pessoa que nos aquece o coração (too much?) pelo canto do olho.  

// Julho //

“Persephone dreams” é uma declaração de amor ao futuro, à nostalgia do passado, com teclas marcadas e a voz quente de Michael Lovett a sobressair numa música caracteristicamente electrónica com direito a um solo de guitarra. Depois de um sonho, acordamos para uma “New Atmosphere” que soa a introdução de filme de ficção-científica que rapidamente vira dance party – imaginem Stormtroopers a dançar junto a uma piscina na lua. Exato, é isto que eu vejo quando oiço esta música de olhos fechados. “Do it Better” assenta na ideia de uma segunda pessoa fazer com que as coisas de alinhem, mesmo não usando “a força” -  soa-nos a uma viagem pelo deserto quente, quiçá em busca da área 51.  

// Agosto //

Com um riff de baixo logo no início esperava uma música própria para dançar, e não estava enganada. Agosto é para dançar porque está toda a gente de férias: “Chemical is Obvious” continua o tema cientifico-humano do álbum – como se houvesse uma atracção palpável, mas invisível que só pode ser explicada pela ciência. Em Agosto, e porque nos aproximamos do final da época favorita de toda a gente, “How Long Does it Take” talvez a música mais sensualmente sofisticada deste álbum, fazem-nos a pergunta “how long does it take for you to fall in love” que não é das perguntas mais fáceis de responder - principalmente quando pensamos que temos de voltar para o trabalho no próximo mês.  

// Setembro //

Tudo dói mais na hora da despedida. “Two Hearts” põe o final a um amor mas a esperança de se voltarem a ver no futuro continua a existir. “Infinite Summer” a música que dá o nome ao álbum perpetua a ideia de que esta sensação quente de romance, de amizade eterna que é mais passível de acontecer durante o Verão. Com um “pôr-do-sol” a anunciar o final do álbum, “Dark Horizon” é como o anúncio do final metafórico de uma relação transposto para a civilização. Afinal o verão não é tão infinito como nos prometeram. Nesta música final “The World You have Made or us”, finalmente fazemos a última fase do luto: a aceitação – o Verão acabou e foi isto que nos deixaram – temos as memórias e a esperança de que o futuro seja melhor. Uma ideia de um mundo novo a descobrir – tanto em relações humanas como numa futura revelação científica são as ideias transmitidas neste álbum do projeto de Michael Lovett sob o nome de NZCA LINES. As músicas deste álbum tem uma base não só humana, mas também extraterrestre, porque…num cenário pós-apocalíptico, em quem podemos contar? Aquilo que sabemos sobre a raça humana – o bom e o mau? Ou a esperança de que algo puramente bom está à nossa espera no futuro? Um álbum introspetivo e baseado em autores de ficção científica como Arthur C. Clarke, o álbum de estreia de NZCA LINES é algo novo, refrescante, e vai dar muito que falar. https://soundcloud.com/memphisindustries/two-hearts-kid-francescoli-remix

// English version //

Because listening to an album according to the order intended by the artist is too mainstream, I organised (after listening to it through the correct order) the songs of  "Infinite Summer" by NZCA LINES according to the summer months which I felt suited the songs. This album is, without a doubt, an epic journey through apocalyptic ventures, both physical and emotional and that's what makes this album different, fresh and an out-of-the-box concept within Eletrp Pop music.

// JUNE //  

Much like the  beggining of summer, “Approach” - the first song of the album -  starts with a soft violin melody and a spoken intro in french that gives a sophisticated touch to the album as if we were going to start a musical journey on our way to the apocalypse. In the beggining of summer days are longer -  “Sunlight” is percussion-filled and it sounds like the beggining of summer, while we're still getting used to the idea of surrendering to the sunlight. “Jessica” for those who like sci-fi movies or series, sounds like an invitation to the exploration of new worlds.

// JULY //

“Persephone dreams” is a love declaration to the future, to nostalgia, with marked keyboard tones and Lovett's warm voice standing out in an clearly electronic song with a guitar vibe. After a dream, we wake up to “New Atmosphere”, that sounds like an introduction to a sci-fi movie turned dance party - just imagine Stormtroopers dancing next to a pool on the moon - yes, that's what I imagine when I listen to this song with my eyes closed. “Do it Better” is about a person making things clear for another person, as if this person was showing him the way - it sounds like a journey through the warm desert, maybe in look for area 51.

// AUGUST // With a bass riff right in the beggining , "Chemical is obvious" is a feel good song that keeps on with the scientific-humanistic of the album, like a palpable attraction that could only be explained through science. In August, and because we are close to the end of everyone's favourite season of the year  “How Long Does it Take” - maybe the most sophisticated song of the album, Lovett asks us the question “how long does it take for you to fall in love” - definitely not the easiest question to answer - specially when all we're thinking at this time is that we need to come back to work in September.

// SEPTEMBER//

Everything is more painful when it's time to say goodbye. “Two Hearts” talks about the end of a love story but focuses on the hope of a future encounter. “Infinite Summer” - the songs which the album was named after carries on with the idea that the sense to explore, whether in relationships, or in life in general tens to happen more during the summer. With  a sunset, announcing the end of the album, “Dark Horizon” is like the metaphorical warning of the end of a relationship as important as civilisation itself. Well, turns out summer is not as infinite as we were told. In this last song, “The World You have Made or us”, we finally achieve the last phase of mouning - acceptance. Summer is over and this is what is left - memories and the hope future is somehow better. The idea of a new world to explore - when it comes to human relationships or a future scientific revelation are the concepts that inspire and transpire in this NZCA Lines album. The songs in this album are not based in humanity only, but also in extraterrestial ideas, because...in a post-apocalyptic scenario can we count on ourselves? What do we really know about Humanity? Are we good? Do we have something good to expect in the future? A very introspective album NZCA LINES' album is something new, something disquieting, fresh and it's going to be a success, no doubt.   Text: Joana Paiva // Featured image: Joana Paiva [Personal note: This was my take on the songs as I was listening to them - it does not transmit the intention of the author of the album - it's merely an interpretation]    

Texto // Joana Paiva  

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