Nothing... ou mais que isso.

Nothing... ou mais que isso.

Ricardo Remédio
Ricardo Remédio
Nothing
Nothing

Outubro de 2016 vai ser de certeza um mês de que não vou esquecer. Tive presente num dos casamentos mais importantes e emocionantes da minha vida, vou sair desta Terra Lusitânia pela primeira vez durante um bom bocado, numa nova aventura e tive o prazer de ver Nothing e Ricardo Remédio ao vivo. Uma ocasião especial, uma oportunidade única e, pelo meio, uma noite incomparável.  

Quando somos mais novos, geralmente, temos sempre aquelas manias de putos um pouco irritantes. Beijos, amor e casais são nojentos. Queremos "fugir" de Portugal e tudo o que existe fora de Portugal é muito melhor do que o que existe cá dentro. Crescemos, muitas das nossas manias desaparecem, começamos a olhar para as coisas com outros olhos e percebemos que parte do que pensávamos não estava assim tão certo. Comecemos pela parte mais "nojenta".  beijos, casais e família... casamentos. A famelga está toda reunida, não existe pizza no buffet, todos os adultos bebem uma bebida estranha chamada vinho e existem várias demonstrações de amor. Mas, o mais irritante é quando os mais velhos perguntam onde está o teu par e tu queres responder "estou melhor sozinho do que mal acompanhado.".

Quando vi o Ricardo Remédio ao vivo lembrei-me dessa frase. (com todo o respeito e amor que tenho pelos LÖBO!) Mostrou que não é preciso uma pessoa estar acompanhada para fazer um espetáculo ou estar feliz. O "Natureza Morta" é a nova aventura a solo deste rapaz e foi o papel de parede do concerto. Muita boa gente que entrou no Musicbox a perguntar que "música estranha" era aquela. Havia muito espaço disponível e até houve um delicioso pit para os fotógrafos trabalharem e os mais curiosos para gravarem vídeos e tirarem fotografias para mais tarde recordar ou para postar numa rede social. No final, o tal rapaz que estava sozinho fez algo que muitos grupos nunca conseguiram fazer. Algo obscuro e apetitoso.

Fugir não será o melhor termo, mas desaparecer por uns momentos do nosso cantinho. Esquecer temporariamente do que nos rodeia no dia-a-dia e que se torna numa chata rotina. Não é por mal, muitas vezes ficamos fartos dos nossos mais próximos. Mesmas conversas, mesmas vozes, mesmos locais, mesmas caras e queremos desesperadamente nos refugiar disso. Uma única oportunidade de sair desta bolha e não pensamos duas vezes. Vamos, sem medos, sem remorsos, sem saudades. Chegamos ao destino sem saber o que vai acontecer e sentimos um nervoso miudinho. As saudades e medos voltam ao nosso dia-a-dia, mas no fundo, isso é algo positivo. Faz-nos humanos e avisa dos perigos que nos rodeiam. Muitas vezes, aceitamos esses avisos e ficamos fora de sarilhos. Noutras ocasiões, algo corre mal e a vida pode dar uma reviravolta para o pior lado. Errar é humano e nada é impossível ou controlável.

Felizmente, Nothing tem uma história com um final feliz. Depois de muitos problemas e dias muito cinzentos, encontraram se, criaram algo e andam a mostrar as suas peças de arte pelo mundo. No dia 7 de Outubro, foi a primeira vez que Portugal teve o prazer de receber estes homens que vieram apresentar o seu último álbum "Tired Of Tomorrow" numa sala cheia de amor por estes americanos vindos de Philadelphia. O tal espaço disponível para fãs e fotógrafos desapareceu dentro do Musicbox e já sentíamos que a sala estava cheia para receber algo memorável. Viu-se que muita boa gente já conhecia esta banda desde ou mesmo antes do lançamento do seu primeiro álbum "Guilty of Everything", que felizmente para todos, entrou também na setlist do concerto. O público entrou logo em êxtase na primeira música. Acordou só na segunda música quando finalmente se ouviram os primeiros aplausos da noite para a banda. No meio de tantas melodias desorientadas entre shoegaze e rock alternativo, houve tempo para algumas surpresas e histórias. Domenic Palermo e companhia receberam uma garrafa de vinho e uma caixa cheia de cigarros, apareceram alguns problemas com guitarras (que já é algo habitual nas tours) e as histórias sobre fotos horríveis tiradas por familiares, das poucas folgas que este grupo teve durante a tour e do quanto Portugal é bonito. Nessa noite Lisboa e os Nothing  apaixonaram-se e está prometido que a banda vai voltar o mais rapidamente possível.

Mais um capítulo nesta banda foi escrita, mais uma banda entrou no coração do público presente e mais uma bela e longa história de amor (esperemos nós) foi escrita.

texto: Gonçalo Morgado fotos: Ana Viotti

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Chill Honesty and Nêspera night with Ryan Sambol

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