WIFE | Oathbreaker @ Musicbox

WIFE | Oathbreaker @ Musicbox

A noite estava fria, a chuva gelada. Para uns as condições perfeitas para mais um concerto de 'black metal', mas nas últimas horas de sábado o Musicbox forjava algo diferente, não um martelo qualquer mas um instrumento pesado de metal damasco, misturando as lâminas afiadas e cruas com a força e tensão de um material mais pesado, criando um padrão fluido entre os Oathbreaker e WIFE, o projecto electrónico de James Kelly (guitarrista/vocalista de Altar of Plagues).  

O entrelaçar do silêncio com o eco de explosões sonoras de James (WIFE) invocava as raízes de uma floresta que se contorcia e destruía a crosta terrestre para se levantar. Através de instrumentos mecânicos WIFE enleia a biologia suave mas cruel que está plantada na Natureza. E perante os nossos olhos e através dos nossos ouvidos conjura árvores de aparência e existência tão pacífica mas de almas violentas, estalando a casca que lhes serve de pele, rachando o corpo para chegar mais alto, e partindo tudo à volta para se poderem erguer num círculo cerimonial preparado para receber vindos da Church of Ra, os magos belgas, Oathbreaker.

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No centro do jardim proíbido trabalhado previamente pelas mãos de James Kelly surgia trajada e coberta pelos cabelos e heras venenosas, Tanghe a voz mágica que dá som ao tempo. Os Oathbreaker são etéreos, como a passagem do tempo, mas tão ou mais viscerais que essa entidade misteriosa. A música que produzem é a linguagem da serenidade do nascer do Sol e da solidão da penumbra, a prosperidade da terra na Primavera e a pobreza do Inverno, o caos do crescimento e a pacificidade de restos mortais. Caro Tanghe pronuncia um alfabeto que atrai as plantas e faz crescer novos rebentos enquanto chama tempestades violentas que inundam tudo à sua volta de nada.

Talvez seja por isso que o nome do mais recente álbum seja Rheia, a filha titã da deusa Terra e do deus Sol na mitologia grega. Talvez a última canção tocada nessa noite no Musicbox tenha sido 'Glimpse of the Unseen' não porque é uma das músicas mais requesitadas, mas porque podemos ver um pouco de um futuro desconhecido. Ou talvez não.

texto: Guilherme Pedrosa || fotos: Luan Silva

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