Correria Vodafone Mexefest I

Correria Vodafone Mexefest I

O frio, chuva e a roupa com mangas compridas estão de volta. As pessoas começam a ficar mais preguiçosas e uma casa com um aquecedor ou uma lareira acesa. São as opções ideias depois de um dia cheio de stress e trabalho. O verão já lá vai e o festivaleiro em nós começa a enferrujar. Felizmente, em Novembro, existe sempre o Vodafone Mexefest. Pegámos numa lata de óleo (que já não vamos para novos), na roupa mais confortável (mas sempre com o estilo on point) e fomos até a Avenida descobrir ou revisitar algumas das "novas cenas" que estão por aí. Que comece a correria do dia 1 do grandioso Vodafone Mexefest.

FILIPE SAMBADO E OS ACOMPANHANTES DE LUXO

Começamos este ano com um dos nossos. Mesmo sem Sambado e os seus recentes Acompanhantes de Luxo (caras conhecidas do panorama musical de Portugal) a Sala Delta do Palácio da Foz já estava cheia para receber uma das primeira atuações desta edição. Sempre com as suas letras poéticas e instrumental sóbrio mas de certa forma triste, Sambado apresentou o seu álbum "Vida Salgada" e ainda visitou o seu passado numa sala atenta as vozes e sons que nela circulavam. O espectáculo sabia a mel, mas infelizmente, tivemos que sair deste belíssimo sonho para dar inicio ao famoso corre-de-um-lado-para-o-outro que este festival nos ensinou desde sempre.

Filipe Sambado
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ACID ACID

Do Palácio da Foz até ao Teatro São Jorge foi um tirinho porque, felizmente para toda a gente, existem shuttles por toda a avenida (obrigada por tudo Srs. Condutores). Chegamos ao São Jorge e entramos numa sala escura, cheia de pessoas que pareciam estátuas, paradas no tempo com o pouco das luzes do palco a bater nas suas e caras. E no palco estavam Tiago Castro (Acid Acid e um dos locutores/djs de radio favoritos aqui da casa) com a sua guitarra e Violeta com a sua flautae imensos pedais no chão, a criarem um rio onde cada um podia entrar com a sua canoa e percorrer algo que não é concreto. Um labirinto de sonoridades estavam a nascer e todos tentavam entrar mas não queriam sair dele. Como sempre, tudo tem um fim e lá fomos nós para o que seria a descoberta de um dos melhores concertos do festival.

Acid Acid
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DEAD PRETTIES

Uma banda com um SoundCloud sem músicas, sem conta no Bandcamp, sem um único single no Spotify e com muito poucos vídeos (os que há, amadores) no YouTube. Uma pessoa desconfia de algo quando descobre uma banda destas num festival deste género. Existem duas hipóteses: Ou caíram de algures só porque sim ou então são algo muito bom e podem ser "a próxima grande cena". Para a nossa alegria, naquele dia, na Sala Super Bock (Garagem EPAL), os Dead Pretties mostraram que podem ser muito bem a próxima grande cena no mundo do rock de garagem. Os ouvidos mais atentos conseguiam captar acordes vindos de Red Hot Chilli Peppers ou The White Stripes, mas esta banda também mostrou que tem o seu próprio som, com uma presença em palco absolutamente catártica. Claro que não tardou para a garagem encher e para os três miúdos vindos de Londres  ficarem radiantes com tanto público a sua frente. Momento alto do dia e algo para seguir muito, mas muito atentamente.

Dead Pretties
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BAIO

Já alguma vez jogaram algum jogo ou viram um filme e parte da soundtrack ficou nos vossos ouvidos?  Já alguma vez ouviram falar de Vampire Weekend?  Já alguma vez leram o nome do baixista dos Vampire Weekend? O nome dele é Chris Baio e como os vampiros decidiram fazer uma pausa, ele meteu as mãos na massa, tirou Chris do nome e criou um álbum de synth pop. Acho que mesmo os mais distraídos já ouviram a "Sister Of Pearl" algures (nem que seja no FIFA 16 como é o meu caso) e ficaram com parte dela na cabeça durante uma semana. Os mais atentos e curiosos devem ter pesquisado um pouco sobre este tal Baio no Google e descobriram que este senhor já tem um EP e um LP no bolso. E foi isso que ele veio cá mostrar a este povo que tanto ama a sua banda. Poucas foram as pessoas que não conseguiram tirar o pé de chão e "curtir do som" deste senhor.  Ele meteu a estação do Rossio a dançar pela primeira vez nesta longa noite e posso dizer que foi muito agradável ouvir aquela música irritante que nunca me deixava em paz, desta vez ao vivo.

Baio
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TALIB KWELI

De Baio já sentíamos o chamamento do renovado Capitólio... Recebia uma lenda que fazia tremer a cidade (sim, temos a certeza que sentimos enquanto corriamos avenida acima!) - Talib Kweli. Com a magnifica Dj Sarasa a dar ritmo à festa, Talib Kweli calcorreava palco acima palco abaixo no que, para além do festão da noite, podiamos também considerar a mais rica aula de música a que alguma vez foste. Entre as enumeras referências aos "grandes" do Hip Hop, nós entramos na sala com Michael Jackson, ao qual se seguiram os Beatles, arrasando depois um Bob Marley... Só um MC como o Talib Kweli poderia saciar a nossa sede músical e de dança. Foi difícil deixar a intensidade que se fazia sentir naquela sala, mas tinhamos um aniversário para celebrar ao fundo da rua....

Talib Kweli
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GANSO

É verdade, o Sala dos Ganso fez anos naquela noite fria... Quem estamos a tentar enganar, nunca se sente frio na Garagem da EPAL, o já famoso palco do caos, calor humano, crowd surfing e música de partir tudo. Tivemos a sorte de apanhar o encerrar da festa (que por observação óbvia do palco, era a festa do chapéu, já que o Sala não gosta de celebrar o seu aniversário), festa esta que se fez de amigos que cantavam em plenos pulmões da primeira quase à última fila. Sabe bem ouvir português, sabe bem ser levado pelas sonoridades psicadélicas que voam do palco, e há qualquer coisa na voz semi-decadente do Sala que tem tanto de charmoso como absolutamente na mouche para o que estávamos a ouvir. Estávamos de corpinho quente e a festa continuava... desta vez em movimento.

Ganso
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FUGLY

Ouvires uma banda de rock dentro de um autocarro é algo vindo de um daqueles videoclips rascas de um artista Pop que tenta ser fixe ou então de um sonho vindo de um fã de "barulho". Parece que no Vodafone Mexefest os sonhos tornam se realidade e finalmente vi uma banda dentro de um autocarro (aposto que não há muita gente no mundo que se possa gabar do mesmo). Adivinhem. Foi muito bom. E quero repetir. Fugly podem ser algo ainda muito verdinho comparado com os seus manos da Cão da Garagem (já vamos falar de um deles um pouco mais a frente)  mas meterem o autocarro sempre cheio durante o dia 25... é obra. Só com o EP "Morning After" estes rapazes do garage já provaram que podem levantar muito pó ou fazer alguns estragos nas salas e festivais que existem por cá. Felizmente, o autocarro sobreviveu para o dia seguinte.

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NAO

Recebi esta mensagem: "Ela está muito FKA Twigs e está a resultar imensooooooo. Estou no corredor do coliseu mesmo antes da zona restrita". NAO (pronuncia-se NEI-OH já agora, não é um não sem til) trouxe a bagagem R&B, soul, funk e até meio jazzy para o nosso grandioso Coliseu. Vamos tentar desmembrar este concerto: um vozeirão do outro mundo, luzes invejáveis, movimentos que estendiam a canção pelo corpo de NAO, até ao púbico que estava para lá de rendido. Hipnotizado diria até. Sim, sem dúvida hipnótizado, contagiado pela energia mais positiva e sensual do dia, atrevo-me a arriscar. Juntem-na a playlist no inverno, porque o Coliseu aqueceu...  

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SUNFLOWER BEAN

Dizem que a idade traz sabedoria, maturidade e conhecimento mas estes três jovens (Nick e Jacob com 20 e Julia com 19 anos) provam que nem sempre é preciso ser "cota" para saber o que andamos a fazer. Com um bom ouvido para o que se ouve atualmente e o que se ouvia antigamente, estes três girassóis misturaram alguns ingredientes e criaram um rock psicadélico pouco dançante com um toque vintage e uma pitada de melancolia. Começaram em 2013 e depois de muito trabalho, algumas viagens e muitos concertos, eles amadureceram e o seu álbum de estreia "Human Ceremony" é a prova disso, sendo este um dos discos mais esperados de 2016. Este pequeno girassol um pouco tímido chegou a Lisboa e não queria ser muito visível. Escondeu-se do sol até ás 23:20, só para ser recebido por uma luz não tão habitual para eles, o público português. O tal pequeno girassol despertou com tantos raios solares, que deu um dos melhores concertos do festival, com tal poder que quase parecia um furacão. Parte das suas raízes ficaram cá e este girassol parte mas com a promessa de que volta para este solo tão novo e acarinhado. (uns passarinhos ouviram que Lisboa até proporcionou uma reunião familiar e uma celebração de feriado Americano em terras lusas).

Sunflower Bean
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JAGWAR MA

Os Jagwar Ma quase que fazem parte da família Side Stage, já desde 2014. O regresso dos australianos a Lisboa tem um sabor especial por diversas razões. Primeiro, trazem no bolso um álbum novo Every Now & Then (que explodiu com o Coliseu dos Recreios como músicas como a O B 1). Segundo, fecharam a noite de sexta feira, numa das mais bonitas salas de Lisboa, que se transformou numa épica e grandiosa dancefloor (quem estava com o pé no chão, certamente estava a caminho de ir buscar cerveja ou ir fazer xixi). Por último, depois do grande arraso da Come Save Me (o ponto altíssimo da noite) que fez a casa tremer, ainda tivemos a sorte de arrastar a festa do Coliseu para o Musicbox, com um mega DJ Set do Jono Ma pela madrugada adentro.  

Jagwar Ma
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Texto de: Gonçalo Morgado e Ana Viotti || Fotos de: Ana Viotti (excepto NAO, foto de João Fortuna) || Video Fugly de: Gonçalo Morgado

Correria Vodafone Mexefest II

Correria Vodafone Mexefest II

WIFE | Oathbreaker @ Musicbox

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