Correria Vodafone Mexefest II

Correria Vodafone Mexefest II

O último dia do festival também seria reconhecido pelo dia da chuva. As capas, chapéus de chuva e tudo o que servia para proteger da indesejada chuva começaram desde cedo a aparecer mas nada mata ou enfraquece o amor pela música e/ou o desejo pela descoberta de algo novo. As pernas não enferrujaram e a viagem recomeçou.    

GALLANT

Começamos o dia no Coliseu dos Recreios com algo que nos puxava desde a sua. O R&B de Gallant já não é algo de novo, mas o toque dele faz com que as músicas nos chame mais atenção do que de outros artistas. Ology foi considerado um dos melhores álbuns do ano e Gallant já é considerado o futuro da música soul e R&B, mas a performance deste deixou muito a desejar. Algo escapou naquela noite, mas a sede de Gallant desapareceu e desejamos uma vinda em nome próprio para Christopher provar que consegue fazer muito melhor do que nos mostrou neste dia.

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Gallant

LA DAME BLANCHE

De Gallant corremos para um dos concertos mais quentes do festival (embora tenhamos apanhado uma molha descomunal). O nome que saltitava na nossa cabeça há já uns dias... La Dame Blanche. Cubana... A tocar em Portugal no dia após a morte de Fidel Castro, filha de Jesus "Aguaje" Ramos dos Buena Vista Social Club... Só podia ser marcante. Mas entrar em palco, em contra luz, a silhueta sensual com uma saia de tule e aquele fumo... o fumo do charuto. O tempo suspendeu-se nesse momento. E a partir daí foi uma espécie de montanha russa, um cocktail fortíssimo de hip hop, cumbia e dança... muita dança. Por entre a flauta, os ritmos, o charuto, os moves. Não há descrição possível para aquela performance. Vejam as fotos acima e ouçam a música dela. É isto.

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La Dame Blanche

KEVIN MORBY

Kevin Morby já não é um nome desconhecido por estes lados. Este antigo baixista dos Woods esteve presente este ano num outro festival de verão onde a sua presença não saiu da cabeça de algumas pessoas. Com o seu indie-folk vindo das terras do tio Sam, relembrando artistas como Kurt Vile ou Bob Dylan apresentou-se numa estação do Rossio cheia onde existiam estreantes e repetentes que queriam ouvir o que este rapaz de Lubbock tinha para oferecer nesse dia. Spoiler Alert: não desiludiu.

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Kevin Morby

800 GONDOMAR

Supostamente o Punk pode estar morto, mas o Garage Rock em Portugal está felizmente bem entregue. Depois de os The Sunflowers e Fugly terem utilizado o autocarro do Mexefest, existiu uma última viagem para uma outra banda do Cão da Garagem. Depois de um 2016 com vários festivais e concertos onde partilharam o palco com nomes como Meatbodies,Thee Oh Sees e White Fang, os meninos Rui, Fred e Alô tinham que finalmente tentar partir a suspensão e os travões de um autocarro. Apanhamos o primeiro autocarro para vivenciar o que era uma viagem de autocarro com os 800. Depois de termos percebido que algo de muito bom aconteceu na primeira viagem, decidimos  que tínhamos de nos despedir dos rapazes noa sua viagem, por isso, pedimos boleia na última viagem. Nestas belíssimas duas voltas pela Avenida da Liberdade  tivemos a visita d' "O Cabeçudo", viajamos pelo EP "Circunvalação", lembram-nos que "Solo Se Vive Una Vez" e como  "All Good Things (Come To An End)" a noite acabou com um belíssimo cover de Nelly Furtado. É escusado dizer que este trio já mostrou que tem o que é preciso para fazer uma belíssima festa, os autocarros que apanhamos estavam sempre cheios e, infelizmente, não foi desta que o autocarro explodiu.

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ELZA SOARES

Depois da loucura do autocarro, era tempo para o peso pesado da noite, a grandiosa, charmosa e dona de Grammy: Elza Soares. Acreditem que se no autocarro foi agitado, não é o facto da rainha Elza estar sentada num trono que fez este concerto menos pesadão. Samba Sujo é que ouvimos dizer da música dela. 79 anos (?) de vida e ainda tão sassy como se tivesse 18 anos, é incrível. Queria "ouvir barulho para xuxu" e o publico não se conteve por um segundo que fosse. Aquela voz é poderosa. Mas explosiva mesmo, principalmente quando as palavras que diz são igualmente fortes e reais. Uma realidade dura que nunca deixou que a rebaixasse... Chegou ao mais alto trono do mundo e ninguém a vai tirar de lá.

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Elza Soares

WHITNEY

Falando em visitantes já conhecidos pelas redondezas, estes rapazes também estiveram cá este ano. Infelizmente não tivemos a banda inteira no Teatro Tivoli, mas Max e Julien preparam algo muito especial, um concerto acústico.  Os dois compositores de um dos melhores álbuns de 2016, "Light Upon The Lake", já com uma boa quantidade de vinho no sangue, e com mais uma ou outra garrafa ao pé deles, não sabiam o que esperar do público português e estavam com receio que o concerto não fosse resultar, então fizeram o que qualquer pessoa devia fazer numa de frio e de chuva, aquecer os corações que estavam presentes naquela sala. Entre conversas de festas e tradições estúpidas dos EUA e quanto Portugal é bonito mas ao mesmo tempo um pouco perigoso, Max e Julien disseram que passaram alguns dias em Portugal para escrever algumas músicas para o próximo álbum e quase que descaíram e tocaram uma música nova, mas não aconteceu. Pelo menos houve um cover de Bob Dylan e uma promessa de um novo álbum e de uma visita dos Whitney em 2017.

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Whitney

DIGABLE PLANETS

Custou sair de Whitney mas já tínhamos bem certo na nossa cabeça que a nossa noite tinha imperativamente que acabar (sim, não fomos a Branko, não nos crucifiquem..!) com os grandes, gigantes de Brooklyn... Digable Planets. Digable freaking Planets! Lendas vivas, da minha década (os 90, que não vivi mas me viram nascer), o trio maravilha que se criou, arrasou, desmembrou, voltou a juntar e agora sim, chegou-me aos ouvidos e aos olhos. Ok, não os imaginei no Cinema S. Jorge, mas não faz mal, porque a performance deles leva-te para as ruas de New York, porque são Cool Like Dat! Foi uma espécie de viagem no tempo com o pessoal mais chill, real (as danças coordenadas com o baixista são só mel!) e músicos absolutamente abismais. Acabamos todos de braço no ar como nos good old days. E não os queríamos deixar ir. Mas estávamos certos que acabar o festival na companhia deles, foi a melhor decisão... Até para o ano Mexefest, it's been real!

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Digable Planets

texto: Ana Viotti e Gonçalo Morgado || fotos: Ana Viotti || video: Gonçalo Morgado

Let Them Eat Caos with Kate Tempest @O2 Ritz, Manchester

Let Them Eat Caos with Kate Tempest @O2 Ritz, Manchester

Correria Vodafone Mexefest I

Correria Vodafone Mexefest I