NOS PRIMAVERA SOUND | I/III

NOS PRIMAVERA SOUND | I/III

Algo previa que este festival iria ser diferente dos restantes Primaveras dos anos passados - seria certamente abençoado pela chuva de Junho - fenómeno raro e estranho ao qual não estamos habituados, mas ao mesmo tempo, a chuva criou um certa mística em torno do Parque da Cidade, que aliada à música, oram o casamento perfeito.   Mas vá, no primeiro dia até foi pacífico em termos climáticos (apesar do público estar preparado para um apocalipse).

O nosso primeiro dia começou com os ritmos dançantes de Fogo Fogo que tentaram aquecer ao máximo o público que se encontrava pronto para enfrentar o que viesse do céu com braços abertos, este concerto inaugurou um novo palco logo à entrada do recinto, o palco SEAT completo com duas bancadas - fazendo deste um dos festivais mais amigável para todas as idades.  

Descemos a colina (a ritmo controlado para não fazer figuras) em direção ao palco NOS para ver Waxahatchee, liderado pela simpática Katie Crutchfield, onde se aglomerou o primeiro grande público da noite - conhecedores da sua música, os portuenses que assistiam ao concerto fizeram as suas vozes ser ouvidas.

Rhye, Rhye, Rhye...O que dizer sobre este magnífico, estrondoso concerto? O projecto de Mike Milosh é acarinhado em qualquer cidade portuguesa a que vão, têm passado por cá todos os anos desde 2013 e cada vez é mais especial. Agora com o álbum Blood debaixo do braço Milosh continua a conquistar fãs com a sua voz afinada e sensual, acompanhada por um duo de cordas síncrono e sem falhas composto por Thomas Lea e Claire Courchene que merecem ser exaltados pela sua mestria musical (e interação com o público). Músicas como "Song for You", "Last Dance", "Taste", "Open" e "The fall" foram aquelas que foram mais aplaudidas, fazendo com que para alguns, este terá sido o melhor concerto do primeiro dia.

Lá em cima, no placo SEAT, Father John Misty fazia das suas, encantando todos os que se encontravam de pé ou sentados a vê-lo actual. Há uma sensualidade obscura nas suas músicas, que conquista mais fãs todos os dias, as músicas eram sabidas na ponta da língua dos fãs mais atentos, mas nós só tínhamos olhos e ouvidos para o palco.

Ezra Furman é a definição de artista em pessoa, um músico genuíno com convicções marcadas e altamente vulnerável tanto em palco como quando abordado pessoalmente. Em palco torna-se um tanto quanto animalesco, no entanto com uma sensibilidade intocável.

[Pausa para jantar e recarregar baterias antes de Lorde]

Um grande parte do público do primeiro dia estava lá para ver a neo-zelandesa Lorde (nome artístico de Ella Yelich-O'Connor) que já conta com dois álbuns e é uma veterana nestas andanças apesar da sua tenra idade - recorde-se que Lorde tinha 16 anos quando lançou o álbum Pure Heroine, agora, em Melodrama está mais adulta, faz das suas experiências transversais para uma cultura thrill seeker que por vezes pensa pouco nas consequências. Vestida num macacão rosa brilhante, encantou o Porto e deixou-se encantar com o amor que o público lhe dava - visivelmente emocionada não deixou de repetir que não esperava a reação que teve no Porto e chegou mesmo a verter uma lágrima. Foi um concerto emocional em que houve uma empatia mágica entre quem estava em palco e os músicos. Para além disso, agora temos direito a coreografia com bailarinos - para quem se lembra Lorde era um bocadinho mais adversa à dança há uns tempos atrás. Nós que somos três raparigas no blog adoramos ver raparigas poderosas em palco e foi isso que Lorde foi, um mega furacão vestido de rosa.

Tyler, the creator foi o primeiro rapper dos três que estavam dispersos pelos três dias do festival - há quem dia que o rap está em ascensão porque o rock morreu, mas na verdade o rap merece estar lá em cima - um concerto de Tyler tem o intuito de ajudar os fãs a libertar as energias, dançar e tirar todas as frustrações do cérebro nem que durante um bocadinho - é libertador, sem dúvida. Vestido com um colete reflector verde/amarelo néon, este, como outros rappers da sua geração estão a dar uma relevância brutal a uma parte da música que estava adormecida - não esquecendo as questões socio-políticas que a comunidade afro-americana passa nos EUA.  

Por fim, a dança continuou pela noite fora com Jamie XX, que deu ao público o que queria, remixes de músicas conhecidas como "Psycho Killer" de Talking Heads e "On Hold" da sua própria banda The XX. Foi um set diverso para acabar um noite em que felizmente não choveu.  

Texto e Fotos: Joana Paiva

NOS PRIMAVERA SOUND | II/III

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Memories of a Twentytwo in Blue night

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