NOS PRIMAVERA SOUND | II/III

NOS PRIMAVERA SOUND | II/III

Hoje foi o dia em que o sol decidiu aparecer e dar um ar da sua graça. Finalmente, que alívio. Os sorrisos encontravam-se mais vezes, mais abertos e toda a gente parecia mais feliz. E a tarde de música estava quase a começar...  

Pelo palco NOS, Idles aqueciam, e de que forma, o palco principal do festival com um rock agressivo e com algumas farpas, característica própria que faz com que estes tenham um seguimento brutal em vários pontos do mundo mas sobretudo na sua terra natal, Inglaterra. Naturais de Bristol, saudaram o sol, aproveitando para "gozar" com as primadonas que tinham insistido na construção de um passerelle pelo meio do público. Sempre reivindicativos mas com um pedaço de razão, deitaram fogo aos seus instrumentos e usaram e abusaram dos aplausos do público.

De seguida, escalamos até ao Placo Seat para ver Amen Dunes a encantar enquanto o sol ainda ia alto. Um som característico e limpo ecoou para os muitos que já se aglomeravam no novo palco do NOS Primavera Sound.

Voltamos a descer ao palco NOS para vermos Breeders,  banda de Kim Deal daquela banda desconhecida chamada Pixies. Um rock no feminino, como é raro ver - de uma geração em que a música era quase unicamente monopolizada pelos homens. São pessoas como estas que fazem acreditar que a igualdade no mundo poderá acontecer eventualmente, embora que não num futuro próximo. Foi um concerto à anos 90, como há algum tempo não víamos, e é sempre bom lembrar.

As gémeas Ibeyi são adoráveis e ai de quem me venha dizer que não! Tem uma interação incrível entre elas e com o público, as músicas são tão relevantes para os dias de hoje, com utilização de excertos de discursos de Michelle Obama e apupos a Trump, foi um concerto politicamente carregado, no entanto com entalhes de leveza tão pura que por vezes nos esquecíamos do conteúdo das sua letras. Com música altamente dançável, são uma banda a acompanhar. "We are deathless!" dizem elas. Ninguém é - mas por vezes sentimo-nos assim, e que bom que é.

Superorganism vieram a seguir com a sua música pop eletrónica, liderados por Orono Noguchi e com um batalhão de gente em palco incendiaram o palco Pitchfork com muitos dos seus hits, incluindo "Everybody wants to be famous". [De notar que o palco Pitchfork neste dia foi possivelmente o mais forte de todo o festival].

Thundercat foi espetacular - a sério. Houve alguns problemas de som, mas nada que a mestria de Stephen Lee Bruner não ultrapassasse, o seu estilo blues contemporâneo fez vibrar um público amante de música como se vê no palco Pitchfork.

Fever Ray no palco SEAT fizeram-se sentir de todas as formas, foi um espetáculo baseado em performance com cada um dos elementos caracterizados à maneira e de que maneira! Um espetáculo repleto de luzes com música dançável, foi um dos concertos mais completos de todo o festival.  

Para acabar a noite em grande ainda havia ASAP ROCKY para ver com o seu rap (à primadonna segudo Idles) - demorou dez minutos a entrar em palco mas foi sem dúvida o clímax do dia para muitos. A verdade é que com ASAP as pessoas saltam, cantam, divertem-se sem pensar nas consequências, imergem-se numa cultura tão magnífica que se entranha nos corpos. Não há como criticar.   UMO foi bom, já foi melhor. O vocalista, Reuben iniciou o concerto atirando-se para o meio do pessoal, mas de uma forma um pouco indiferente e estranha, vocalmente não estava nos seus dias. Agora que UMO tem hits, lá isso tem. E dão fotos bonitas.   O segundo dia foi uma valente correria, mas valeu a pena...Vale sempre.

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