NOS Alive || Dia 2 || Não deixem o rock morrer

NOS Alive || Dia 2 || Não deixem o rock morrer

Uma sexta-feira 13 que foi muito pouco assustadora, e mesmo caso isso acontecesse todos os maus espíritos teriam sido afastados pela música que se tocava nos vários palcos. Um dia para celebrar a música, como todos os do festival, contou com amigos em alguns palcos e novos conhecidos e outros – e, como sempre, o prazer foi todo nosso.

JAPANDROIDS - “Os de boa memória”

Já vimos Japandroids mais do que uma vez, mas cada uma parece a primeira – um duo de rock que não pede desculpas; um dos  originais duos de guitarra e bateria que nos habituamos a ver por estes lados. A única coisa que foi fora do normal neste concerto foi o facto de ter sido ao final da tarde, estas malhas foram feitas para ser ouvidas pelo menos ao cair da noite, preferencialmente na noite cerrada onde não há sol para nos afastar da música. Um público entusiasmado mas escasso e pouco conhecedor da obra da dupla. Mas quem estava lá e conhecia estes veteranos do rock curtiu e não foi pouco no dia mais virado para a guitarra de todo o festival.  

Black Rebel Motorcycle Club -  “Os Bravos”

Para continuar a tendência do rock e aumentar a irritação de quem naquele dia esperava para ouvir “aquela música que passa na rádio” os Black Rebel Motorcycle Club entraram em placo prontos para deitar tudo a baixo – aquela dose de cabedal e guitarra que estava a fazer falta, sem pretensões. Depois de não editarem álbum desde 2014, este ano voltam com o novo álbum Wrong Creatures para manterem o rock vivo – apesar de estarem boatos a correr que ele está a morrer e o rap está a tomar conta – salvem-nos. Eu gosto de uma boa letra de rap como qualquer outra pessoa, mas para isso o rock não tem que morrer, há espaço para todos.  

EELS -  "Os Determinados"

Determinados em fazerem-nos relembrar o facto de serem umas das bandas de culto dos anos 90. Mr. E e companhia fizeram as delícias de quem passava pelo palco Sagres, num concerto de recordação de êxitos idos mas também a celebração do álbum lançado este ano “The Desconstruction”. A pender para o lado esquerdo do palco, Eels deram um concerto energético sublinhando que o indie rock está de boa saúde e as bandas que o fundiram estão preparadas para ir à luta.  

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BLOSSOMS -  “Os Esperançosos” Banda adicionada à última hora para substituir um dos actos do palco principal The Kooks. Por muito tristes que estejamos por não ouvirmos a “Naive”, ouvimos a “Charlemagne” – êxito dos nomeados para o Mercury Prize, Blossoms. Apesar de jovens, mostraram-se preparados para as feras que estavam à espera de Queens of the Stone Age e deram um concerto adequado para o que era esperado deles.  

KOKOKO! - "Os Vitoriosos"  Vieram diretamente do Congo para nos fazer dançar, e conseguiram! Um dos atos mais reconhecidos internacionalmente que passou pelo palco NOS Clubbing e trouxe um reaproveitamento de materiais tornados instrumentos musicais que se tornou numa festa de dança explosiva como só eles o sabem fazer. Um excelente momento de descontracção, multi-culturalismo e dança, muita dança.  

YO LA TENGO - "Os Prudentes"

Vamos falar em bandas de culto, sim? E YLT é uma dessas bandas, com quase 4 décadas desde a sua formação em 1984, YLT tocaram um set generoso, talvez de mais para o público que estava lá para os ouvir. Não me vou calar com o facto de saber que os vi ao vivo, são como que aquele unicórnio que sempre sonhamos ver mas ao mesmo tempo sabemos que nunca vai cruzar-se no nosso caminho por ser uma criatura que não existe? É assim que eu sinto em relação a esta banda, que continua tão aprazível agora como no seu início e mantém como é claro todo o amor de qualquer amante de música indie. 

THE NATIONAL -"Os Eloquentes" 

Podem dar-lhe cidadania portuguesa por favor? Não há um festival em Portugal que nunca tenha tido The National como cabeça de cartaz - e acreditem isto não sou eu a queixar-me. O charme da banda de Matt Berninger (e do próprio) continua a conquistar os ouvidos e corações dos portugueses - sem dúvida dos melhores concertos do festival - mas isso já se sabe. Músicas como "The system only dreams in total darkness", "the day I die" ou "I need my girl" provam que a música pode ser elevada a obra-prima, mesmo que agora os temas sejam vulgares em muitas músicas, cm The National isso não acontece, as letras são pura literatura e as melodias são pura música para os nossos ouvidos - das melhores bandas da atualidade sem dúvida para mim e para o Obama pelo menos. Que música é que o Trump ouve? Provavelmente nenhuma, não há nada nele que respire receptividade artística.

PORTUGAL. THE MAN -  “Os Grandes” Bom, uma banda que tem Portugal no nome tem obviamente muito bom gosto. Portugal. The Man já passaram pelo nosso país várias vezes para mostrarem o seu rock pop mexido mas nunca como banda de top de vendas - até que chegou a malfadada "Feel it Still" - houve tal aclamação da imprensa, sobre-uso na rádio, em campanhas de marketing, em séries que acabou por provocar uma enchente no palco sagre - POR UMA MÚSICA. Não digo isto por irritação, apenas me faz confusão os compradores de bilhete por single. Sim, claro que toda a gente tem direito a descobrir música, música boa, mas ao mesmo tempo o meu sentido de proteção em relação às bandas que gosto fica exaltado quando estas coisas acontecem. Isto é uma banda cujo following português começou e foi sempre no Paredes de Coura. Não sei, estou confusa. De qualquer forma, são músicos incríveis que merecem finalmente a apreciação que estão a ter - uma abertura com a "For Whom The Bell Tolls" de Metallica, para "Another Brick in the Wall" de Pink Floyd misturada com a "Gimme Shelter" dos Rolling Stones foi um óptimo prenúncio para o que ainda estava para vir.  

RASTRONAUT + AKACORLEONE - "O Venturoso"

Um espetáculo combinado de música e aspeto visual - uma nova visão do que é um concerto interativo AKACORLEONE fazia arte na tela enquanto RASTRONAUT deixava as batidas soltarem-se pelo palco NOS Clubbing - uma forma diferente e especial de experienciar um concerto. Bombástico como ambos são sempre!

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QUEENS OF THE STONE AGE - "Os Desejados"

Acho que vou deixar a Ana falar um bocadinho sobre isto - uma vez que é uma banda que ambas adorámos mas que ela segue há bastante mais tempo. Todos nós conhecemos o temperamento de Josh Homme, mas nem por isso ele deixou as cordialidades de lado e montou um espectáculo de rock como poucos sabem fazer. Há bandas de rock e depois há QOTSA. Se há coisa que não sabem fazer, é dar um mau concerto, e nós, os motherfuckers segundo Homme, temos que aceitar isso. Não deslumbrou, não sei se por uma visão manchada de acontecimentos e atitudes recentes mas o reportório estava todo lá e muito foi o sing-a-long de devil horns no ar foi sendo cada vez mais vigoroso ao logo do set.

FUTURE ISLANDS - “Os Reformadores”

Um concerto cheio de hits dançáveis com o mesmo líder excêntrico de sempre - foi um dos concertos mais dançáveis de todo o festival apesar de nós já estarmos habituadas à fórmula de atuação de Future Islands, uma vez que já os vimos por diversas vezes. É esse o problema, ver muitas vezes a mesma banda pode fazer com que eles na nossa cabeça se tornem repetitivos, não deixam de ser brilhantes naquilo que fazem, porque têm músicas memoráveis, como "Ran" - que tomou as rédeas do espetáculo que estava só a começar. A par do vocalista de Friendly Fires, Samuel T. Herring é um dos leads com melhores moves em toda a indústria da música (indie - porque ninguém chega aos pés da Beyoncé).  

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TWO DOOR CINEMA CLUB - "Os Vitoriosos"

Demos uma corrida em direção ao palco NOS para conseguirmos ver um bocadinho de Two Door Cinema Club - e vimos o que esperávamos, músicas alegres com batidas energéticas e muitos adolescentes a esgotarem as energias que já estavam a 15% - uma banda cheia de sucessos radiofónicos, continuam a ser acarinhados pelo público português como quando começaram. Até serem cabeças de cartaz (tardios) no maior (em dimensões) festival de Portugal.  

CHVRCHES "Os Determinados"

Os determinados...em fazer um set às três da manhã quando já está toda a gente em função mental descendente. CHVRCHES liderados por Lauren Mayberry são aquelas bandas fofinhas que toda a gente ouve - sem ninguém saber - guilty pleasure style. Com um following significativo no nosso país, fazem as delícias dos fãs de música alternativa com gostinho a pop. Músicas do top como "Get Out" e "The Mother We Share" foram entoadas alto e bom som na tenda renomeada como palco Sagres (RIP Heineken - super a favor de marcas portuguesas num festival português). Foi uma óptima forma de terminar a noite - que já ia bastante longa...  

KALASHNIKOV “Os Justiceiros” Jel e Vasco - que mais há a dizer sobre a dupla de irmãos que são mais do que isso - são um duo de actores, performers, activistas e os responsáveis pela maior enchente do palco comédia, pelas costuras mesmo! A viagem no tempo (cápsula de 10 anos) levou-nos a diferentes momentos politicos, sociais que na realidade continuam extremamente actuais. A realidade é que do início ao fim do concerto o publico gritou as letras todas enquanto havia mosh, wall of death, crowdsurf e tudo mais que seria de se espera num concerto de rock puro e duro.  

BRANKO + RINCON SAPIÊNCIA - "Os Explosivos"

A noite terminaria a altíssimas horas com o rei do clubbing dos nossos tempos: BRANKO! Já o temos visto em diversos palcos nacionais e internacionais e acompanhado a sua incessante procura sonora por esse mundo fora, principalmente no que toca à nossa língua portuguesa. Curador do Palco Clubbing nessa noite com a Enchufada, conseguimos apanhar uma parte do set extremamente esperada... Com o grande Rincon Sapiência, directamente do Brasil para os nossos pés e braços dançantes.     2 já foram, falta um dia - não sei o que sinto em relação a isto, mas acho que já tenho saudades.  

texto: Joana Paiva e Ana Viotti fotos: Ana Viotti excepto: Blossoms, Queens of The Stone Age e Two Door Cinema Club por Arlindo Camacho

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