NOS Alive || Dia 3 || Para o ano há mais

NOS Alive || Dia 3 || Para o ano há mais

1_Alice-In-Chains.png

O último dia de um festival deixa-nos sempre um bocadinho tristes e nostálgicas, apesar de ainda haver todo um dia de celebração à nossa frente. É tão bom ir a um local onde temos as nossas bandas e artistas preferidos concentrados, juntamente com pessoas que se sentem da mesma forma que nós e adoram música para além do que passa na rádio. E que dia nos esperava, o retorno de Pearl Jam, os blues de Jack White e tantas outras surpresas. O NOS Alive é um festival que nos diz muito porque nos viu nascer e crescer, dando-nos a oportunidade de fazermos ouvir a nossa voz quando outras pessoas não nos queriam ouvir, e por isso temos de agradecer. Mas agora vamos falar da música.... ALICE IN CHAINS "Os Restauradores"

 Já passaram uns oito anos desde a última vez que por aqui passaram. Muito mudou mas Alice in Chains mantém a vibe dos anos 90 que já se fazia sentir desde os dias anteriores. Marcados para as 18h00, foi uma hora estranha para ouvir a música de Alice in Chains, mas nem por isso eles deixaram que isso os demove-se de dar um grande concerto. Se a nostalgia dos 90 que tem dado origem a festas temáticas e regressos de trends, os Alice In Chains mostraram ali que não são um souvenir dos 90's mas sim uma banda de calibre. Tentaram arrancar reações a um público inerte, mas talvez seria muito cedo? Ou estariam mesmo ali só para Pearl Jam?

MIGHTY SANDS "Os Venturosos"

Banda com já alguma rotação por grades salas de espetáculo do nosso país, os Mighty Sands reuniram um público jeitoso ali no por vezes esquecido Coreto. Este "público jeitoso" nota-se fiel às vibes surf rock que os Mighty Sands nos trouxeram (com uma formação um pouquinho diferente do que nos habituaram, mas sempre incrível). O power couple Chaby/ Teresa agarram as rédeas com Martim nas teclas (são estes os meninos da formação original) e levam-nos numa viagem no tempo, que em vez de ir para os 90's, nos levou mais atrás ainda até aos 60's e 70's!  

REAL ESTATE “Os Prudentes”

Os Real Estate foram aquela onda de 2013 que nos deixou a pensar em tempos idos em que ouvíamos folk. Fizeram o que podiam contra a histeria coletiva que estava prestes a acontecer no palco principal, não querendo com isto dizer que o concerto não foi bom. Porque entretanto, os Real Estate também já se tornaram numa banda que não consegue dar maus concertos. Envolvemo-nos ali nas canções bonitas que nos trouxeram mas rapidamente foi hora de ir ouvir sangue fresco.  

LAO RA “A Popular”

Uma das novas artistas que queríamos ver no Palco Clubbing, Lao Ra fez toda a gente dançar, mesmo os que passavam ali na tenda por curiosidade. Com uma presença equiparável a uma Beyoncé grau I, Lao Ra provou estar pronta para animar vários palcos e vários tipos de amantes de música. Vinda directamente da Colômbia e com comparações a M.I.A. no bolso, esta é uma das nossas apostas para artista emergente nos futuro. Está pronta para conquistar o mundo, não só a América Latina.  

FRANZ FERDINAND "Os Vitoriosos"

Banda cujo nome advém de uma tragédia histórica, o seu concerto ficou longe disso. Já com anos de concertos na mala, Franz Ferdinand provaram porque ainda se encontram nos tops das tabelas de vendas. "Do You Wanto To" - um dos singles mais conhecidos da banda deu abertura a uma sucessão de músicas de sucesso reconhecido internacionalmente, incluindo o mais recente "Always Ascending". Franz Ferdinand são umas das bandas mais acarinhadas pelo público português e cujas músicas são reconhecidas por esse mundo fora. Com uma setlist totalmente dedicada aos êxitos da banda, foi uma festa do início ao fim com uma participação do público que estava bastante inspirado para cantar. Um concerto em estilo throwback. 

6_Jack-White.png

JACK WHITE – “O Justiceiro”

A felicidade de finalmente ver Jack White ao vivo. Uma das maiores rockstars contemporâneas virado músico de blues rock negro. Jack White mudou de direção, mas aparentemente levou os seus fãs nessa viagem - toda a gente estava de olhos postos para os 50% dos White Stripes, banda lendária do início dos noughties. 

 Já com vários álbuns a solo desde a dissolução dos White Stripes, Jack White fez vingar o seu nome - no entanto com recorrência frequente a músicas da banda que tinha em conjunto com a sua ex-parceira, Meg. Aliás, o concerto mais valia ter sido dos White Stripes, mas acho que a Meg não estaria muito virada para isso, porque o alinhamento contou com muito poucas músicas de Jack White - "Lazaretto" terá sido a mais memorável de todas. Como era de prever o alinhamento terminou com aquela música muito pouco reconhecida do público (tom irónico) chamada "Seven Nation Army".

MALLU MAGALHÃES "A Formosa"

A princesinha do Palco Sagres. Como sempre, ver Mallu Magalhães é como fazer uma pausa e respirar ar puro. Com um vestido branco que criava a ilusão de ser um fada, Mallu adocicou o dia de rock do NOS Alive, numa tenda composta e que entoava em uníssono os hits da brazileira virada alma lusitana. Ela convidou-nos a todos para a sua festa, porque ela é assim e gosta de quem gosta dela. É sempre u quentinho no coração ver a comunidade brasileira e portuguesa de mãos dadas enquanto se ensina uma ou outra palavra em português aos muitos estrangeiros que ali foram ficando. Junto sim, fizeram a festa que Mallu tanto fala.  

8_Pearl-Jam.png

PEARL JAM "Os Magnânimos" 

O concerto mais aguardado do dia? Não só. Do festival inteiro? Sim, CLARO! Pessoas fizeram quilómetros e quilómetros para se dirigirem ao passeio marítimo de Algés para verem a banda lendária liderada por Eddie Vedder que prometeu um grande espetáculo e cumpriu as promessas. Um setlist repleta de êxitos, misturada com covers de Pink Floyd "Interstellar Overdrive"  e "Comfortably Numb" e de John Lennon com "Imagine" - em que alguns "fãs" afirmaram "esta é a minha música preferida dos Pearl Jam" - VALHA-NOS DEUS tendo ainda direito a um dueto com Jack White em que ambos entoaram "Rockin' in the Free World" de Neil Young. Foi tudo um bocado épico. Como era de prever, Vedder não faz a coisa por menos.  

800 GONDOMAR "Os Venturosos"

Ficaram com a tarefa de tocar no Coreto enquanto os Pearl Jam tocavam no palco NOS - um tarefa ingrata mas que eles assumiram na perfeição. Podiam estar a tocar para milhares de pessoas, a energia ia ser a mesma - porque eles são mesmo assim. Apesar de não terem tido tanto público como o esperado, foi o suficiente para fazer a festa. E esqueçam lá os grandes hits de Pearl Jam que se ouviam ao fundo, ali acabou por se fazer o seu próprio coro, o seu próprio mosh e honestamente ali sim, estava o real deal do que se passa por aqui por Portugal.  

AT THE DRIVE IN "Os Martirizados"

Coitados, concerto atrasado porque os Pearl Jam, reis da vida airada tocaram muito mais que o devido. Mas isso não os parou, um set acelerado pela raiva e pelo amor à música e ao público que estava lá para os ver, deram tudo o que estava ao seu alcance para fazer aquela meia hora valer. Se imaginarem um furacão com cabos e microfones a serem chicoteados de um lado para o outro, tripés a voar, amplificadores a rugir e uma energia violenta, então sim, estão a perceber como foi o concerto dos At The Drive In.  

MGMT   "Os Piedosos"

Cheios de êxitos na manga, houve toda uma festa dançante em frente ao maior palco do festival no último dia de concertos. E tudo graças à banda norte-americana MGMT. Quem não sabe músicas como "Kids", "Electric Feel" ou "Time to Pretend"? Resposta: Toda a gente as conhece - o que tornou o concerto um dos mais divertidos do festival. Um palco decorado com plantas ao estilo selva, fez com que toda a gente liberta-se o seu "animal interior" e libertasse toda a frustração multi-factorial pela dança - e que bonito foi ver, aquela animosidade colectiva ali, junto ao mar.  

PERFUME GENIUS "O Príncipe Perfeito"

Já lá vai algum tempo desde que víamos a elegante figura esguia de Mike Handreas a deslizar pelo palco. E foi mesmo isso que aconteceu, uma performance repleta de sensualidade e cumplicidade entre os vários elementos da banda. Perfume Genius é como uma flor delicada que em que ser apreciada com tempo, com calma. Uma voz doce e delicada - porta-voz de muitos - e quanta eloquência. A música de Perfume Genius é pensada até ao último acorda, e o andar de Mike em cima do palco - quase sempre em saltos agulha - é feito com tal elegância que nos deixa atordoadas com tamanho talento. Foi uma bela forma de terminar este ano de NOS Alive.  

13_Xinobi.png

XINOBI "O Salvador dos Sobreviventes"

Podem pensar que depois de tanta banda e tanto DJ ao longo do dia, o pessoal se fosse embora para casa descansar. Ora nem pensar que o Xinobi não deixa. Não obriga ninguém mas veja-se o seguinte: estas a caminho da saída mas um dos melhores DJs do nosso Portugal está a bombar imenso para uma tenda já bem cheia... Claro que te juntas à festa! E foi assim que se fechou a noite e a edição de 2018.     E assim chegou ao fim mais uma edição de um dos festivais mais populares em terras lusas. E para o ano esperamos voltar, em força - e desta vez com os três elementos do Side Stage. Um grande agradecimento à Everything is New e parabéns por mais uma edição bem sucedida.  

texto: Joana Paiva e Ana Viotti fotos: Ana Viotti excepto: Jack White por João Silva e Alice in Chains e Pearl Jam por Arlindo Camacho

KURT VILE & The Violators @Hard Club

KURT VILE & The Violators @Hard Club

Life Update: And yet so calmly miserable

Life Update: And yet so calmly miserable