KURT VILE & The Violators @Hard Club

KURT VILE & The Violators @Hard Club

A vaga de vento da Islândia podia ter impedido umas centenas de pessoas de se dirigirem ao Hard Club, mas em dia de double feature numa das salas mais emblemáticas do Porto, nem o frio nórdico nos afastaria de um dos músicos mais relevantes da atualidade - Kurt Vile.   O Hard Club foi enchendo, e num compasso acelerado, foi aquecendo - cheio de fãs que esperavam para ver o músico de Filadélfia. Antes disso, foi tempo de escutar as melodias e Meg Baird e Mary Lattimore, uma escolha interessante, no entanto não o que se esperava para uma abertura de Kurt Vile. A voz doce de Meg acompanhada pelo som arrepiante da harpa tocada suavemente por Mary foi um embalar que não entusiasmou grande parte da sala, ansiosos por Vile.

Numa sala já bem composta entra Vile acompanhado dos "violators" que apesar de encaixar na imagem de misfit de Vile, foneticamente encontra um pequeno precalço no português bem falado. Nomes à parte, temos um álbum novo "Bottle it in" acabadinho de chegar aos nossos ouvidos, e agora ao vivo pela primeira vez. Vile é daqueles músicos que não se importa de estar perdido e deixa-se andar até encontrar de novo a sua linha de pensamento. Ouvir um concerto de Kurt Vile é como conduzir sem rumo, numa estrada cheia de curvas, rotundas, em que nos enganámos sempre na saída. No entanto, há uma calma que o acompanha, não há pressa para chegar a lado nenhum - o interesse todo de Vile encontra-se no percurso.

E foi isso fez, levou-nos numa viagem calma, a lugares remotos, nostálgica até. A sua letra falada ao som da melodia ultrapassa a capacidade dos artistas atuais, as palavras têm significado, no contexto atual, em que na verdade estamos todos perdidos. É tão bom ouvir músicos em palco, mais do que máquinas, deêm-nos a verdade - Vile dá, a verdade nua e crua e que bom que é. Mais uma ótima aposta da Ritmos.  

Fotos e Texto: Joana Paiva      

(Un)known Mortal Orchestra || Hard Club ||

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NOS Alive || Dia 3 || Para o ano há mais

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